TBILISI (AFP) — O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, venceu as eleições de sábado e foi reeleito no primeiro turno, informou neste domingo o chefe da Comissão Eleitoral Central, Levan Tarkhnishvili.
Saakashvili obteve 52,8% dos votos, disse Tarkhnishvili após a apuração de todas as urnas, exceto pelos votos depositados fora do país.
A legislação eleitoral da Geórgia prevê a vitória no primeiro turno para o candidato que obtenha mais de 50% dos votos.
Já no sábado, o presidente Saakashvili se proclamou vencedor das eleições presidenciais, segundo resultados parciais, desacreditados por uma oposição que também canta vitória e decidiu se manifestar, com o apoio de milhares de pessoas.
O atraso na divulgação dos resultados agravou o clima de confusão que dominava o país desde a noite de sábado. A Comissão Eleitoral Central começou a anunciar os números parciais doze horas após o fechamento dos colégios eleitorais, e em ritmo de conta-gotas.
"Nosso trabalho foi prejudicado pelas condições meteorológicas difíceis. Esperamos os resultados preliminares para toda a Geórgia até as 20H00-21H00 locais" (16H00-17H00 GMT), declarou na manhã deste domingo o presidente da comissão, Levan Tarkhnichvili.
A taxa de participação no pleito chegou a 56,7%, superando os 50% necessários para declarar vencedor após o primeiro turno o candidato que obtenha a maioria absoluta dos votos, de acordo com a lei georgiana.
No sábado, o líder da oposição denunciou a pesquisa de boca de urna por considerar que havia sido "fraudada", e convocou seus partidários a participar de um protesto neste domingo.
"Chamo toda a Geórgia a reunir-se no domingo às 14H00 (10H00 GMT) na praça Rike para preservar nossa vitória, para celebrar nossa vitória", declarou Gachechiladze em discurso televisionado, no qual diz ainda ter "vencido em quase todas as circunscrições".
Gachechiladze reivindicou a vitória no pleito, por considerar ter vencido "em quase todas as circunscrições".
Outro candidato da oposição, Guiorgui Maisachvili, se uniu ao apelo de Gachechiladze.
"As eleições foram fraudadas (...) Meu adversário Gachechiladze é o vencedor e como político responsável que sou, me manifestarei nas ruas", afirmou.
Entre 5.000 e 10.000 pessoas atenderam, neste domingo, ao apelo da oposição.
O protesto, que durou mais de uma hora, transcorreu sem incidentes na central Praça Rike, onde todos os líderes da oposição presentes se comprometeram a atuar através de "meios legais", "políticos", sem "desestabilizar o país".
A mobilização foi relativa, se comparada às concentrações de mais de 50.000 pessoas durante as manifestações de novembro do ano passado.
"Estamos no terror. Não só o terror físico, mas também dos meios de comunicação", declarou o principal candidato da oposição, Levan Gachechiladze, depois que quatro canais de televisão divulgaram uma pesquisa de boca de urna que proclamava Saakashvili como vencedor.
A oposição promete mais protestos após a celebração do Natal Ortodoxo, nesta segunda-feira.
Em sua primeira declaração depois do pleito, Saakashvili disse que, segundo as pesquisas, ele havia ganho, mas aconselhou "esperar os resultados oficiais da Comissão Eleitoral Central".
"Os indicadores de uma pesquisa independente, realizada segundo as normas internacionais, mostram que ganhamos no primeiro turno", declarou, dizendo estar disposto a "estender a mão a todos os opositores que quiserem servir ao país".
Após a divulgação da pesquisa, houve comemorações no comitê de campanha de Saakashvili em Tbilisi. Na central avenida Roustaveli, simpatizantes do presidente buzinavam e balançavam bandeiras nacionais.
A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que enviou 460 observadores à Geórgia, qualificou a votação de "competitiva" e "válida".
"A democracia marcou ontem na Geórgia um ponto triunfal", declarou Alcee Hastings, membro do Congresso americano e chefe da missão de observadores da OSCE.
"Constatamos uma clara competição durante a campanha, e por isso percebo a eleição como a expressão válida da opção do povo georgiano", continuou.
"Mesmo que no fundo a votação tenha sido feita conforme a maioria dos padrões para eleições democráticas, surgiram desafios significativos para os quais convém trazer uma resposta urgentemente", concluiu, no entanto, a missão de observadores em um comunicado divulgado no site da organização.
Já a chancelaria russa qualificou de prematura e "superficial" a conclusão dos observadores da OSCE sobre a eleição.
Saakashvili, considerado herói da revolução pró-democrática chamada "Revolução da rosa", em 2003, foi eleito no início de 2004 com 96% dos votos. Sua imagem de democrata, porém, ficou prejudicada depois de ter ordenado uma forte repressão a protestos de seus adversários políticos e instaurado um estado de exceção durante nove dias em novembro.
Esses distúrbios levaram o presidente a organizar eleições presidenciais antecipadas, um ano antes da data anteriormente prevista.
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