WASHINGTON (AFP) — As Nações Unidas e o Banco Mundial (Bird) se comprometeram nesta segunda-feira com os países em desenvolvimento a recuperar os fundos nacionais usurpados por ex-governantes corruptos.
Cerca de 40 bilhões de dólares são saqueados anualmente nos países mais pobres do planeta, principalmente por pessoas que ocupam alguns dos mais altos cargos do Estado, disseram a ONU e o Bird no lançamento da "Iniciativa para a Recuperação de Ativos Roubados" (Star, na sigla em inglês).
"Essa iniciativa irá favorecer a tão necessária cooperação entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento, entre o setor público e o privado, para que os ativos roubados retornem a seus legítimos proprietários", afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
"Não devem existir santuários para os que roubam os pobres", declarou o novo presidente do Bird, Robert Zoellick. A iniciativa é, segundo ele, uma advertência aos governantes corruptos, para deixar claro "que não escaparão da lei".
"A cada cem milhões de dólares recuperados, seria possível financiar a vacinação completa de quatro milhões de crianças, o acesso à água de 250.000 lares ou o tratamento contra a Aids de 600.000 pessoas durante um ano", explicou à imprensa Daniel Leipziger, vice-presidente do Banco Mundial encarregado da redução da pobreza e da gestão econômica.
A nova iniciativa prevê a colaboração entre o Bird e o Escritório de Drogas e Crimes das Nações Unidas para ajudar os países em desenvolvimento a organizar instituições capazes de "detectar e impedir o fluxo de dinheiro ilegal, reduzindo assim a possibilidade de que esses fundos sejam roubados", concluiu Leipziger.
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