A arte contemporânea terráquea vista por extraterrestres

LONDRES (AFP) — 'Como reagiriram os extraterrestres se chegassem à Terra e topassem com o que chamamos de arte?', questiona uma irreverente exposição que abre as portas na quinta-feira no Centro Barbican em Londres.

Os curadores do Barbican inventaram, para atrair o público à arte contemporânea, um Museu Marciano de Arte Terráquea, que oferece uma "nova maneira de olhar a arte" criada nos últimos 50 anos.

A premissa da mostra, que ficará aberta até 18 de maio, é que os extraterrestres pousaram em nosso planeta e econtraram obras e objetos que os terráqueos consideram Arte, incluindo uma escultura que é uma parede de peixes presos em blocos de vidro, do britânico Damian Hirst.

Em seguida retornaram para Marte levando quase 200 exemplares desta arte - esculturas, instalações de vídeo, fotografias e gravações de Andy Warhol, entre outros -, que classificam em várias seções e exibem em um museu para "o prazer e educação" dos marcianos.

Não é difícil imaginar a cara dos ETs imaginários ao ver exibidos no Museu um urinol em bronze, realizado por Sherrie Levine, que com o título "Fonte" constitui uma homenagem a Marcel Duchamp, ou uma árvores de cujos braços saem roupas antigas, "The Family Tree", de Jay Keies.

A americana Lydia Yee, curadora da mostra ao lado do italiano Francesco Manacorda, explicou à AFP que a exposição tem como inspiração o livro "Kant depois de Duchamp", do historiador belga Thierry de Duve, no qual um imaginário antrópologo faz um inventário de tudo o que os humanos chamam de arte".

Questionados pela AFP se a idéia não é um excêntrica para atrair público ao Barbican - sobretudo depois do sucesso da mostra "Seduced", sobre a milenar relação entre sexo e arte -, os curadores insistiram que o que se busca é "oferecer uma nova interpretação da arte contemporânea".