Dois mortos em manifestação política no Quênia

NAIRÓBI (AFP) — Duas pessoas foram mortas nesta quarta-feira pela polícia do Quênia em Kisumu (oeste), durante a repressão a um protesto da oposição, que critica as supostas irregularidades das eleições do final de dezembro em que o chefe de Estado, Mwai Kibaki, renovou seu mandato.

Desde as eleições gerais de 27 de dezembro, o Quênia, considerado até então um oásis de estabilidade na parte oriental da África, vem sendo assolado por uma crise que já deixou mais de 700 mortos e obrigou cerca de 200.000 pessoas a abandonar seus lares.

A oposição convocou manifestações em todo o país para esta quarta e até sexta-feira, desafiando a proibição imposta pelo governo.

Kisumu, uma das cidades de maioria oposicionista, foi cenário dos incidentes mais graves, depois de a policia abrir fogo contra os manifestantes, segundo uma fonte da policia local que pediu anonimato.

Em Nairobi, a policia também disparou contra os manifestantes que tentavam chegar ao centro da cidade. Três pessoas ficaram feridas, constatou um jornalista da AFP.

Em Eldoret, (oeste) que registrou os piores episódios de violência no final de dezembro e no início de janeiro, a policia disparou para o alto tentando dispersar os opositores.

No domingo, a organização de defesa dos diretos humanos Human Righs Watch (HRW), com sede em Nova York, condenou a "força excessiva e assassina" da policia.

O balanço dos protestos desta quarta-feira foi, entretanto, menos grave que em ocasiões anteriores.

Apesar das vítimas, o líder da oposição Raila Odinga manteve a convocação dos protestos até sexta-feira: "nada nos impedirá de organizar essas manifestações", disse.