Julgamento de detetive particular pode revelar os podres de Hollywood

LOS ANGELES (AFP) — O julgamento de um detetive particular acusado de usar escutas telefônicas ilegais em benefício de grandes nomes de Hollywood pode revelar alguns dos piores artifícios para se conseguir favores e fama na meca do cinema americano.

Anthony Pellicano, 63 anos, conhecido como "o detetive das estrelas", e seus quatro supostos sócios respondem a 110 acusações num julgamento que começou esta semana em Los Angeles.

A imprensa especializada especula sobre um escândalo que está para explodir com a convocação de testemunhos que podem envolver alguns dos nomes mais famosos do setor.

Em seu escritório no Sunset Boulevard, epicentro das notícias de Hollywood, Pellicano prestou por anos serviços à elite do mundo do cinema e do entretenimento.

A promotoria de Los Angeles já divulgou a lista de testemunhas potenciais: Sylvester Stallone, Keith Carradine, Chris Rock e Farrah Fawcett.

Mas se estes nomes são o de pessoas conhecidas, a lista também inclui dois dos homens mais poderosos de Hollywood, supostos contratantes do detetive: o presidente da Paramount, Brad Grey, e o ex-presidente da Disney, Michael Ovitz.

"Talvez a paranóia de Hollywood quanto ao processo de Anthony seja justificada", comentou a revista especializada Variety, depois que o gabinete da promotoria indicou que ia usar horas de gravações de conversas telefônicas entre Pellicano e seus clientes e que foram apreedidas pela polícia quando o detetive foi preso em 2002.

As gravações demonstram que Pellicano prestou seus serviços numa gama variada de casos, que vão de divórcios até negociações entre produtores e cineastas.

Um deles é John McTiernan, criador da saga "Duro de matar", com Bruce Willis, que admitiu ter contratado Pellicano para espionar um produtor hollywoodiano, depois de tê-lo negado por vários meses, o que lhe valeu uma pena de quatro meses de prisão, em setembro de 2007, por mentir durante a investigação.

Pellicano, que assumiu a própria defesa, afirmou esta semana que assume os problemas de seus clientes como fossem seus próprios problemas, e seus honorários, segundo as autoridades, eram de milhares de dólares.

Pellicano, que já passou 30 meses na prisão por posse de explosivos, até agora guarda silêncio sobre seus empregadores, mas, segundo os analistas, como fará sua própria defesa, tudo pode acontecer.