PEQUIM (AFP) — Um policial chinês foi morto e vários ficaram feridos durante um protesto numa área predominantemente ocupada por tibetanos, após duas semanas de violentas manifestações, anunciaram autoridades locais.
A notícia chegou quando o 'primeiro-ministro no exílio', Samdhong Rinpoche, confirmou a morte de 130 pessoas durante a onda de protestos, e não 99, ao contrário do que havia sido divulgado semana passada.
Ativistas tibetanos interromperam a cerimônia quando foi acesa a tocha Olímpica nesta segunda-feira, na Grécia, na tentativa de chamar a atenção do governo chinês.
Segundo a agência oficial de notícias da China, Xinhua, os policiais morreram em uma região do Tibete administrada pela província de Sichaun.
O policial, identificado como Wang Guochan, foi morto por um grupo que atacou vários colegas dele com facas, aproximadamente às 04h30 da manhã, segundo a Xinhua.
'A polícia foi obrigada a atirar para afastar os rebeldes', explicou um oficial.
Apesar das tentativas dos ativistas pró-Tibete, líderes internacionais e associações esportivas no mundo todo não querem boicotar as Olimpíadas.
Durante a cerimônia em que foi acesa a tocha olímpica, dez tibetanos, incluindo uma menina com o rosto coberto de tinta vermelha, tentaram bloquear a rua principal que levava à cerimônia, entoando cânticos contra a China.
'Não temos nada contra os jogos Olímpicos e os atletas. Queremos apenas chamar a atenção internacional para o fato de que a China é a maior prisão no mundo', disse à AFP Robert Menard, presidente da organização Repórteres Sem Fronteiras.
A tocha será agora levada por 19 países durante uma jornada de mais de cem dias. Passará pelo Monte Everest e pelo Tibete, antes de chegar a Pequim em agosto, acarretando, possivelmente, durante sua passagem uma onda de protestos globais contra a dominação chinesa do Tibete.
Prevendo as manifestações, a agência de notícias do governo chinês publicou um comunicado pedindo que tais atos sejam repudiados pelos governos internacionais: 'A comunidade internacional, os amantes do esporte e opositores da violência devem reagir contra essa tentativa de minar as Olimpíadas'.
Os protestos começaram como reação à notícia de que monges budistas teriam sido presos depois de realizar uma passeata para marcar os 49 anos de um levante tibetano contra o domínio chinês.
Manifestações de apoio se espalharam por outras regiões da China, principalmente na província de Sichuan onde a policia confirmou ter ferido quatro pessoas 'em legítima defesa'.
As autoridades chinesas acusaram o líder espiritual do Tibete, o Dalai Lama, exilado em 1959, de organizar os protestos apesar de não poderem provar tal acusação.
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pediu que a China tente, novamente, conversar com o Dalai Lama.
'Acreditamos que a solução para o Tibete seja uma política mais sustentável por parte do governo chinês. Conversei com a secretária de Estado chinesa sobre essa situação que deve ser controlada, no entanto, sem violência', disse Rice.
A China se nega a conversar com o Dalai Lama apesar das inúmeras tentativas do líder espiritual tibetano de apaziguar a situação e garantir que não tem intenções de liderar a independência do Tibete.
Em Lhasa, jornalistas internacionais continuam banidos e a China tem mantido um forte controle nas fronteiras com o Tibete.
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