Comissário europeu tenta retomar relações com governo de Raúl Castro

HAVANA (AFP) — O comissário europeu Louis Michel reuniu-se nesta sexta-feira com autoridades do governo de Raúl Castro, com quem busca um diálogo para normalizar as relações entre Cuba e a União Européia (UE), bloqueadas em 2003 pela condenação de 75 opositores.

Michel participou de reuniões oficiais com o chanceler Felipe Pérez Roque, que se prolongaram além do tempo previsto, demora que provocou a posposta de última hora de uma entrevista coletiva à imprensa "para os próximos dias".

Após as conversações, o chanceler cubano e o comissário da UE receberam na chancelaria o corpo diplomático acreditado em Havana.

Michel chegou na noite de quinta-feira para permanecer na capital cubana até domingo, e ainda se reunirá com o vice-presidente Carlos Lage, com o presidente do Parlamento, Ricardo Alarcón, e com outros funcionários cubanos.

Enquanto Michel e Pérez Roque se reuniam em Havana, em Washington o presidente George W. Bush, disse que "lamentavelmente, a lista de países que apóiam o povo cubano é muito pequena e a ausência de certas democracias nessa lista é muito clara".

Uma aproximação entre Cuba e a UE é promovida pela Espanha, mas Pérez Roque criticou recentemente a UE por ser "incapaz" de desenvolver uma "política própria" em relação a Cuba, que não responda às 'pressões' dos Estados Unidos".

Há a possibilidade de que Michel seja recebido ao final de sua visita pelo presidente Raúl Castro, que lhe ofereceu "um diálogo político construtivo" no dia 25 de fevereiro, um dia depois de ter sido eleito sucessor do líder Fidel Castro.

Esta é a terceira missão de Michel em Cuba, embora a primeira, em 2002, tenha sido feita no posto de chanceler belga. Em 2005, como comissário, foi recebido durante quatro horas pelo então presidente Fidel Castro, que em fevereiro renunciou ao cargo por motivos de saúde.

A visita é realizada depois que Cuba assinou dois pactos internacionais em matéria de direitos humanos, um "fato positivo", segundo a presidência eslovena da UE, três semanas depois de Cuba e Espanha terem efetuado sua segunda reunião baseada no tema.

Mas para instaurar o diálogo, ressaltam observadores, seria preciso modificar exigências sustentadas nos últimos anos: a UE pede a Cuba gestos em matéria de democracia, direitos humanos, liberdade de presos políticos -cerca de 240- e eleições livres.

Já Havana exige a anulação definitiva das sanções impostas em 2003, que chegaram a ser suspensas temporariamente em 2005.