Polônia e EUA assinam acordo sobre escudo antimísseis

VARSÓVIA (AFP) — Polônia e Estados Unidos chegaram hoje a um acordo preliminar sobre a instalação de elementos do escudo antimísseis americano no país europeu, informou o premier Donald Tusk em entrevista ao canal de televisão TVN.

"Conseguimos um acordo com os Estados Unidos sobre o escudo (antimísseis)", disse Tusk.

Segundo Tusk, os Estados Unidos aceitaram concretizar um pedido importante do governo de Varsóvia: mobilizar na Polônia baterias antiaéreas de médio alcance Patriot para garantir a segurança do país europeu oriental, paralelamente ao escudo antimísseis.

Desta forma, os Estados Unidos prevêem instalar em solo polonês, até 2012, dez interceptadores com capacidade para destruir em vôo possíveis mísseis balísticos de longo alcance.

O sistema estará ligado a um potente radar a ser instalado na República Tcheca, segundo um acordo assinado oficialmente no dia 8 de julho.

Assim, a Polônia abrigaria mísseis antimísseis (ou interceptadores) americanos e, em troca, os Estados Unidos ajudariam a melhorar o sistema de defesa aérea polonês.

A Rússia interpreta esse projeto na República Tcheca, assim como os planos de instalar o sistema antimísseis na Polônia, como uma ameaça a sua segurança nacional, embora os americanos assegurem que seja uma proteção contra "países párias" como o Irã.

"A segurança nacional não pode se sustentar sobre promessas", disse recentemente o presidente Medvedev.

O apoio americano na modernização do sistema de defesa aérea era uma das principais exigências da Polônia para abrigar o escudo antimísseis.

As preocupações da Polônia com a segurança se referem principalmente às ameaças da Rússia de apontar seus mísseis para a Europa caso os Estados Unidos coloquem partes de seu sistema de defesa antimísseis perto da fronteira russa.

A iniciativa dos Estados Unidos de construir instalações de defesa antimísseis no Leste Europeu vem provocando tensões no relacionamento do governo americano com a Rússia.

Os Estados Unidos querem construir um sistema que permita a interceptação de de mísseis balísticos. Este sistema envolve radares estacionários e mísseis antimísseis em lugares como o Alasca e a Califórnia. Na Polônia, o plano é instalar dez mísseis antimísseis.

A Rússia é contra, apesar de o presidente americano, George W. Bush, ter dito que Moscou nada teria a temer, porque os alvos do sistema de defesa americano seriam países hostis, como o Irã e a Coréia do Norte.

Em outubro passado, o então presidente Vladimir Putin chegou a dizer que os planos americanos poderiam levar a uma situação semelhante à Crise dos Mísseis de Cuba, na década de 60, que quase desencadeou um conflito nuclear entre os Estados Unidos e a ex-União Soviética.