Catástrofes naturais custaram mais caro em 2007 do que em 2006

FRANKFURT, Alemanha (AFP) — As catástrofes naturais foram mais freqüentes e mais caras em 2007 do que no ano anterior, segundo um relatório anual da agência de resseguros alemã Munich Re, um aumento que pode ser atribuído em parte ao aquecimento climático.

O mundo sofreu 950 catástrofes naturais no decorrer deste ano, contra 850 em 2006, segundo o grupo alemão. Este dado é o mais importante já registrado pelo Munich Re desde 1974, data de inauguração de seu banco de dados.

As catástrofes naturais foram mais caras do que em 2006, ano que se beneficiou de uma clemência particular, segundo este relatório. O custo total deste ano chegou a US$ 75 bilhões, contra US$ 50 bilhões no ano passado. As seguradoras tiveram de desembolsar mais, já que os desgastes que tiveram de cobrir atingiram US$ 30 bilhões, duas vezes mais do que em 2006.

O tremor de terra em julho no Japão foi o que mais causou prejuízos, chegando a um valor de US$ 12,5 bilhões, mas a tempestade Kyrill que atingiu em janeiro a Europa custou mais às seguradoras, US$ 5,8 bilhões, à frente das inundações no verão boreal na Grã-Bretanha.

Em contrapartida, o número de mortes caiu, para aproximadamente 15.000 pessoas, contra 20.000 um ano antes. Mais uma vez, os países em desenvolvimento foram os mais atingidos e foi o furacão Sidr, que atingiu mês passado Bangladesh, o que mais deixou vítimas.

"Os efeitos da mudança climática já estão sendo notados e no futuro termos muitos mais acontecimentos climáticos extremos", advertiu Torsten Jeworrek, membro do diretório da Munich Re, citado no comunicado.

"Estes resultados não podem certamente serem atribuídos apenas à mudança climática, mas eles correspondem ao que previmos há muito tempo: tempestades, chuvas mais fortes, e um risco de inundações em geral maior, também na Alemanha", disse Peter Hoppe, encarregado do departamento de pesquisa sobre os riscos naturais da Munich Re.

Para ele, o mapa do caminho adotado em Bali para conter o aquecimento climático está indo na direção certa.

A luta contra o efeito estufa oferece também enormes oportunidades econômicas para as empresas, disse Jeworrek.