WASHINGTON (AFP) — O Federal Reserve (Fed, banco central americano) reduziu nesta terça-feira sua taxa básica de juros em 0,5%, a 4,75%, depois da crise dos empréstimos hipotecários de alto risco ("subprime") nos Estados Unidos, que abalou os mercados financeiros não apenas no país, mas em todo o mundo.
Esta é a primeira vez que o Fed reduz a taxa (Fed Funds) desde junho de 2003, interrompendo um ciclo de 17 altas consecutivas.
O comitê de política monetária do Banco (FOMC), em decisão unânime adotada numa reunião de um só dia, também reduziu sua taxa de redesconto para empréstimos diretos a Bancos particulares em 0,5%, para 5,25%.
"O crescimento econômico foi moderado na primeira metade do ano, mas o endurecimento das condições de crédito tem o potencial de agravar a correção do mercado imobiliário e de limitar o crescimento econômico", indicou o FOMC em um comunicado.
"A decisão de hoje está sendo tomada para contra-atacar alguns dos efeitos adversos sobre a economia, que de outra forma poderiam afetar os mercados financeiros, e também para promover um crescimento moderado a médio prazo", justificou o Fed.
"Os dados da inflação de base melhoraram um pouco este ano. No entanto, o comitê acredita que ainda há riscos de inflação e continuará acompanhando atentamente a evolução da inflação".
"A evolução dos mercados financeiros desde a última reunião do comitê aumentou as incertezas, pesando sobre as perspectivas econômicas. O comitê continuará avaliando seus efeitos, e o de outros fatores, sobre as perspectivas econômicas, e agirá conforme necessário para favorecer a estabilidade dos preços e um crescimento econômico duradouro", continuou.
A queda dos juros deve levar a uma redução do custo dos empréstimos na economia, tanto para os consumidores como para os empresários. O Fed vinha mantendo a taxa diretriz a 5,25% desde junho de 2006.
Esta decisão do comitê era amplamente esperada pelo mercado e vista como uma forma de reduzir a pressão sobre os mercados imobiliário e de crédito, evitando assim uma possível recessão nos Estados Unidos.
"A diminuição rara de 0,5% das taxas de juros da economia e a redução da taxa de redesconto mostram também que o Fed deseja adotar medidas extraordinárias para impulsionar o crescimento e devolver liquidez aos mercados", comentou John Lonski, analista econômico da agência de notificação financeira Moody's.
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