CARACAS (AFP) — Os venezuelanos votaram neste domingo em um referendo sobre a reforma socialista da Constituição proposta pelo presidente Hugo Chávez, mas é grande o suspense sobre os resultados, que devem ser apertados.
Se o "Sim" ganhar, Chávez terá o marco jurídico para implantar o socialismo na Venezuela e poderá ser reeleito sem limite de vezes, enquanto que se o vencedor for o "Não", esta seria a primeira derrota eleitoral do presidente em nove anos.
Coordenador da campanha do Sim, o vice-presidente Jorge Rodríguez veio a público dizer, de forma pouco esclarecedora, que a apuração dos votos do referendo mostra um "resultado apertado" e pediu para que a população espere pelo resultado oficial.
Mas até às 20H20 locais (22H20 de Brasília), mais de cinco horas depois do fechamento das urnas, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) não tinha dado nenhum resultado parcial.
Com relação aos números extra-oficiais que corriam dando vantagem ao Sim, o instituto de pesquisa Datanálisis, que vinha sendo citado como a fonte das informações, negou ter realizado pesquisa de boca de urna.
O bloco opositor em favor do Não, enquanto isso, pediu que se vigiasse os resultados "com as atas na mão".
Yon Goicochea, líder do movimento estudiantil e dirigente do bloco pelo Não disse que existe "um objetivo para as próximas horas: (ter) todas as atas na mão, comprovar com fatos das atas" os resultados do referendo.
"Repudiamos a matriz de opinião que se gerou (a favor do governo) porque tem o fim de desmotivar a nossa gente", disse em entrevista coletiva Goicochea, o comandante da campanha pelo "Não".
"Não daremos nenhuma projeção, só diremos que temos fé. O pedido é para que fiquem nas mesas, comprovando e revisando as atas do processo até o final", disse Goicochea.
Diante de um resultado que se anuncia apertado, o ex-ministro da Defesa Raúl Baduel enviou uma carta ao Conselho Nacional Eleitoral em que pedia a reunião dos blocos do Sim e do Não a ser realizada antes do anúncio do resultado.
Ao comentar o gesto do vice-presidente, o deputado dissidente Ismael García disse "querer falar sobre se a situação está apertada ou não". Quer, no entanto, "que o CNE leve o tempo que for necessário, não temos nenhuma pressa".
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