Presidente da Guatemala pede que resultados das eleições sejam respeitados

GUATEMALA (AFP) — O presidente da Guatemala, Oscar Berger, pediu aos quase 30.000 candidatos dos 21 agrupamentos políticos que participarão nas eleições gerais deste domingo que respeitem os resultados da votação.

"Faço um apelo especial àqueles que aspiram um cargo de eleição popular que respeitem a vontade das maiorias para que, neste domingo, as eleições sejam como todos os guatemaltecos esperam: uma festa cívica nacional", afirmou o chefe de Estado, em uma mensagem à Nação.

Quase seis milhões de guatemaltecos estão convocados a votar para definir os novos presidente e vice-presidente do país, além dos representantes de 332 instâncias municipais e 158 deputados, após uma campanha marcada pela violência.

Dos 14 candidatos concorrendo nessas eleições, o social-democrata Alvaro Colom, da Unidad Nacional de la Esperanza (UNE), e o general reformado Otto Pérez Molina, do Partido Patriota (PP, direita) apresentam mais chances de ocupar o cargo máximo do país a partir de 14 de janeiro de 2008.

Segundo as últimas pequisas, os dois políticos estão tecnicamente empatados no turno, com aproximadamente 31,8% das intenções de voto. Essa margem transfere para os 27,6% dos eleitores, que ainda não se decidiram por um candidato, o peso decisivo do pleito de domingo, que terá a presença de 13.000 observadores.

Com sua voz monótona e pouco carisma, o social-democrata Colom privilegia o aspecto social em seu programa de governo, mas seus adversários o acusam de não ser capaz de exercer a liderança necessária para acabar com os males que afligem a sociedade guatemalteca, como a insegurança e a pobreza da população. Já Perez Molina vem subindo nas pesquisas com seu discurso militar de um governo mão-de-ferro.

E é exatamente essa mensagem que está conquistando a classe média e a juventude da Guatemala - que representam 60% da população -, cansadas dos crescentes índices de violência e ansiosas por um governo que acabe com o crime organizado, infiltrado em várias esferas do Estado, e com o terror imposto pelas gangues urbanas que circulam pelas cidades. Só em 2006 foram 6.000 mortos nas ruas do país.

Atrás de Colom e Pérez vêm os candidatos Alejandro Giammattei, da Grande Aliança Nacional (GANA, partido do governo), com 14,6% das preferências, Eduardo Suger, do Centro de Ação Social (Casa, ultra-direita), com 8,4% dos votos, e Luis Rabbé, da Frente Republicano-Guatemalteca (FRG), do ex-ditador Efraín Ríos Montt, com 4,5%.

A indígena e prêmio Nobel da Paz, Rigoberta Menchú, aparece em sexto lugar na preferência dos eleitores, com 3,1%, e perdeu quase um ponto em relação à pesquisa anterior.

Essa fragmentação das preferências deve levar a um inevitável segundo turno, marcado para o dia 4 de novembro, que será disputado pelos dois canditados mais votados no pleito de domingo.

O processo eleitoral foi marcado por um alarmante aumento da violência política.

As mais recentes vítimas foram registradas na quarta-feira desta semana. Dois candidatos do partido de Menchú, Encontro pela Guatemala, foram assassinados a tiros na periferia norte da capital, o que eleva para 22 o número de mortos em cerca de 50 ataques desde o início da campanha, no dia 2 de maio, segundo a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Também não foram poucas as denúncias de que alguns canditados, principalmente deputados federais e políticos a nível local, tenham estabelecido ligações com o crime organizado.

A magnitude do problema levou a Conferência Episcopal e o Fórum Guatemala - que reúne organizações, sindicatos, associações empresariais e organizações indígenas - s lançarrm uma campanha para impedir que o narcotráfico destrua a democracia.

A princípio, a campanha deste ano seria um passo importante para a transparência e o fortalecimento da democracia na Guatemala, com o estabelecimento de normas para o controle do financiamento privado e público das campanhas, e a ampliação dos colégios eleitorais do país para aproximar as urnas das comunidades indígenas espalhadas pelo país.