MADRI (AFP) — A Feira de Arte Contemporânea de Madri, a Arco, abriu suas portas nesta quarta-feira na presença do ministro brasileiro de Cultura, Gilberto Gil, neste evento onde o Brasil é a estrela convidada com 32 galerias e com mais de 100 artistas expondo suas obras até 18 de fevereiro.
Gil, que esteve na Feira de Exposições acompanhado da diretora do evento, Lourdes Fernández, ressaltou diante da imprensa a crescente importância da Espanha para seu país e o papel das instituições culturais em promover seus artistas.
"A presença do Brasil na Arco é de um valor extraordinário". "A Espanha sempre foi uma porta muito importante para o Brasil na Europa e no mundo", e agora que "através da União Européia, voltou a ter um importante papel internacional em distintos terrenos (...) é um parceiro fundamental", considerou.
O ministro-cantor garantiu que "ao governo brasileiro interessa muito ter um papel de colaborador para fomentar o desenvolvimento da cultura".
"A dimensão econômica da cultura é cada vez mais importante" e "o papel do Estado como mediador entre os mercados, a sociedade, e os setores de produção faz com que instituições como o ministério da Cultura estejam cada vez mais interessadas em estabelecer políticas públicas" para isso, explicou.
No entanto, reconheceu que "a política de aquisição" de obras por parte dos museus nacionais "não é uma prioridade neste momento porque há outras, como a remodelação dos museus".
Lourdes Fernández, diretora desta que é uma das feiras de arte contemporânea de maior renome em escala internacional, definiu o Brasil como "o mais emergente de todos" os países latino-americanos em questão de arte, em consonância com seu crescimento econômico.
A diretora da Feira explicou que a região latino-americana "é uma de nossas prioridades" e "uma de nossas linhas de trabalho mais importantes" na mostra, que nesta XXVII edição expõe obras de 295 galerias de um total de 34 países.
A Arco, que em 1997 teve como convidada a América Latina e, em 2005, o México, concedeu oito galerias para a região, além das 32 destinadas aos brasileiros.
No momento em que a arte contemporânea tem seus expoentes nos Estados Unidos e no Reino Unido, a Arco apresenta o Brasil como um dos "centros periféricos" com "uma pujança cada vez maior na cena internacional".
Artistas brasileiros consagrados como Tunga, Vik Muniz, Rosângela Rennó e Leonora Barros apresentam suas obras junto a outros mais jovens como Cao Guimarães e Rodrigo Andrade, com duas constantes, "dinamismo e diversidade", segundo o brasileiro Moacir Dos Anjos, um dos comissários da mostra.
"Para o Brasil, é muito importante a presença no mercado internacional, mas sobretudo a possibilidade de organizar múltiplas manifestações além da Arco", apontou seu colega Paulo Sergio Duarte.
A participação de Brasil na Arco é acompanhada de outras exposições paralelas, como a de José Damasceno no museu Rainha Sofia e outras de Miguel Rio Branco, Eder Santos, Lucia Koch e Marcelo Cidade, as mostras "Heteronímia Brasil" e "Panorama de Arte Brasileira" do Museu de Arte Moderna de São Paulo, ciclos de cinema.
No ano passado, a feira foi visitada por 190.000 pessoas, pouco menos que o recorde de 200.000 registrado em 2004.
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