Emma Marcegaglia é eleita presidente da Confederação Industrial da Itália

MILÃO, Itália (AFP) — A empresária Emma Marcegaglia, que nesta quinta-feira se tornou a primeira mulher a assumir a presidência da poderosa Confederação Industrial da Itália, é considerada uma pioneira e conta com a admiração de boa parte de seus colegas.

"A mulher de aço", como é apelidada, foi eleita hoje para a liderança da Confindustria; começou a carreira na empresa familiar que leva seu sobrenome, e foi também a primeira mulher a chegar à presidência da confederação de jovens industriais, que dirigiu de 1996 a 2000.

A nova dirigente, de 42 anos, que assumirá o cargo em maio, conhece bem os segredos da organização, já que foi vice-presidente em duas ocasiões.

A grande experiência de Marcegaglia, além do forte caráter, convenceu 95% dos industriais de todo o país que votaram nela para a suceção do carismático Luca Cordero di Montezemolo, presidente da Fiat e da Ferrari, que esteve na liderança da Confederação por quatro anos.

"Espero enviar um sinal a um país bloqueado que não renovou sua classe dirigente", declarou a nova presidente.

Marcegaglia é também uma figura próxima do presidente da fábrica de eletrodomésticos Indesit, que faz parte da junta diretora, e de Giorgio Squinzi, presidente da Mapei, dois símbolos de boa gestão na Itália.

A empresária, nascida em Mantua (norte) em 1965, é mestre em economia pela New York University. Começou a trabalhar aos 23 anos em uma das empresas da família no setor de turismo.

A "mulher de aço" ocupa ainda, com seu irmão, cargos administrativos do Grupo Marcegalia, a décima maior indústria italiana.

"Não é a típica filhinha de papai, estudou em uma escola pública e sempre usou meios públicos para estudar", comentou à AFP a amiga Marina Salomon, presidente da empresa de roupas Altana.

"Ela sabe chegar ao fundo dos problemas, tem experiência e é realista", acrescentou.

Para chegar ao cargo que até agora foi ocupado por 26 homens, Marcegaglia tem demonstrado uma personalidade forte e corajosa - de "aço" - recursos necessários para enfrentar o desafio de auxiliar a indústria italiana em um momento crucial, devido à crise que atravessa o país pela competição com mercados emergentes, como a China.

Como outra mulher, a francesa Laurence Parisot, presidente da Medef - confederação de indústrias francesas -, a executiva italiana representa a inovação e uma ruptura em um setor tradicionalmente conservador.

"É um sinal positivo para todo o país, vai servir de exemplo para que mais mulheres cheguem ao cargo de direção nas empresas", comentou Ivan Lo Bello, presidente da patronal siciliana.

Segundo um informe da Rede de Mulheres Profissionais Européias, as mulheres representam apenas 2% dos cargos de direção das maiores companhias italianas, em relação a 23% de países como Finlândia.

A chegada de uma mulher a um cargo tão importante gera também expectativas nas relações entre empresários, governo e sindicatos.

"Graças a sua personalidade, ela vai ter um papel importantíssimo para a reforma do sistema conservador italiano", comentou Pietro Ichino, professor de direito trabalhista da Universidade de Milão.

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