Cresce agitação nas universidades francesas

PARIS (AFP) — O movimento dos estudantes contra a lei de autonomia das universidades francesas ganhava força nesta sexta-feira podendo afetar 50 dos 85 estabelecimentos no país, apesar da persistência de divergências na comunidade universitária.

Nesta sexta-feira, 13 universidades estavam bloqueadas em várias cidades como Paris, Toulouse, Nantes, Lille e Rouen.

O movimento acontece num contexto social bastante tenso, quando se anunciam para a próxima semana greves nos transportes e no setor da energia em protesto contra o plano de reforma dos regimes especiais de aposentadoria.

Para a semana próxima estão anunciados pelo menos 53 assembléias gerais em 53 estabelecimentos universitários, segundo fontes estudantis.

"A mobilização avançou significativamente" felicitou-se nesta sexta-feira o coletivo organizado contra a "lei Pecresse" - nome da ministra da Educação superior.

Votada em agosto, esta lei prevê a generalização da autonomia orçamenária e de gestão dos recursos humanos em todas as universidades dentro de cinco anos, podendo se o desejarem ser proprietárias de seus bens imobiliários.

Os estudantes que rejeitam o texto denunciam o que consideram uma "distorção" e a "privatização" da educação superior. Para eles, dar às universidades a possibilidade de "obter recursos privados sem nenhum controle" as deixa a mercê das empresas privadas.

Esta eventual privatização significaria o "fim do estatuto de funcionário" para os professores e os pesquisadores.

O movimento é "contra o objetivo de tornar as universidades rentáveis financeiramente, de abandono do serviço público e de seleção daqueles que poderiam estudar", privilegiando os mais ricos, explicaram os estudantes de Perpignan, um dos centros mais ativos da contestação.

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