MOSCOU (AFP) — Ao trocar repentinamente de primeiro-ministro a seis meses da eleição presidencial, Vladimir Putin surpreendeu nesta quarta-feira os observadores e alimentou as especulações mais diversas: manobra política, nomeação técnica ou situação de emergência para a escolha do sucessor.
Ao demitir Mikhail Fradkov do comando do governo, o patrão do Kremlin deu a verdadeira largada na campanha eleitoral para a renovação da Duma (Câmara baixa do Parlamento) e para sua sucessão, em março de 2008.
Porém, ao designar um total desconhecido, ele segue mantendo sua preferência em segredo. "Esta designação não é uma solução, mas o adiamento da escolha da solução", considerou a jornalista independente Yulia Latynina.
Os rumores de demissão do governo apareceram na manhã desta quarta-feira com a manchete de Vedomosti, o jornal russo dos negócios, anunciando a nomeação de Serguei Ivanov, vice-primeiro-ministro e candidato potencial à sucessão de Vladimir Putin.
Porém, o nome de Viktor Zubkov foi citado durante a tarde, acabando com a possibilidade de ver Ivanov assumir o comando do governo e repetir, desta forma, o cenário elaborado especialmente para a ascensão de Vladimir Putin, em 1999-2000.
Evgueni Volk, analista na Heritage Foundation, lembrou que Putin e Zubkov se conhecem desde 1992, na época em que jovem tenente-coronel na reserva do KGB trabalhava para a prefeitura de São Petersburgo.
Patrão do Serviço federal encarregado da luta contra a lavagem de dinheiro, Viktor Zubkov é o homem mais qualificado para "controlar as finanças" dos candidatos durante a campanha, considerou Volk. Para ele, a idade do futuro premier, 65 anos, praticamente o descarta da corrida ao Kremlin.
Desde a revolução pró-ocidental na Ucrânia em 2004, o Kremlin, preocupado com uma ingerência ocidental na política russa, aprovou uma série de leis para complicar o financiamento eventual de partidos, sobretudo de oposição, com fundos estrangeiros.
O redator-chefe da rádio Echo Moscou, Alexei Venediktov, disse que Vladimir Putin já havia anunciado "mudanças antes do dia 14 de setembro" durante um encontro com jornalistas.
O objetivo desta demissão é "favorecer a reconfiguração dos clãs", considerou Venediktov.
De fato, as guerras de clãs no Kremlin e no governo, entre liberais, "siloviki" dos ministérios da Defesa, do Interior, do FSB ou de São Petersburgo (a cidade natal de Putin) estão longe do fim, e Vladimir Putin talvez seja agora o único a saber quem será o próximo presidente do país.
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