A rebelde Taiwan escolhe seu novo presidente sob o olhar vigilante da China

TAIPÉ (AFP) — Taiwan escolherá no sábado seu novo presidente após oito anos de mandato do Partido Democrático Progressista (DPP), período marcado por escândalos de corrupção e pelo deterioramento das relações com a China, tema principal de uma campanha que foi marcada pela explosão da violenta crise no Tibete.

Impulsionado pela vitória nas legislativas de janeiro, das quais saiu com a maioria das cadeiras no Parlamento, o Kuomitang (KMT, nacionalista) acredita agora que a revanche, com a vitória de seu candidato, Ma Ying-Jeou, está ao alcance da mão.

O partido também foi fortalecido por uma confortável vantagem nas pesquisas. Ma focou sua campanha nas reformas econômicas e no apaziguamento das tensões com Pequim.

O candidato rival, do DPP, Frank Hsieh, ficou para trás nas sondagens, mas ainda pode conseguir votos na reta final apelando para o argumento da "ameaça chinesa", cavalo de batalha favorito do atual presidente, Chen Shui-bian, eleito com esta plataforma em 2000 e 2004.

O DPP aproveitou a ocasião para levantar a bandeira do Tibete, alegando que a repressão aos distúrbios na província autônoma chinesa é um sinal de que Pequim também deseja reconquistar a ilha, que só mantém relações com cerca de vinte países, muitos deles na América Central e no Caribe.

"Este incidente reflete perfeitamente a natureza do governo chinês: ditatorial e brutal", afirmou Chen, que deixa a cena política enfraquecido por escândalos de corrupção que chegaram a envolver sua mulher.

Como resultado disso, Ma se viu obrigado a radicalizar seu discurso para não parecer submisso à China. Aventurou-se, então, no território de seu rival, criticando o que chamou de uma repressão "extremamente brutal e estúpida".

O KMT, por sua vez, defende uma política mais conciliadora, e é a favor do diálogo com o regime comunista, inimigo histórico que ainda gera desconfiança.

Até agora, Ma se declarou a favor de um amplo "mercado comum" e da assinatura de um "acordo de paz" entre Pequim e Taiwan, que esperou até 1991 para suspender as medidas de exceção instauradas pelo estado de guerra com o gigante asiático.

Taiwan fugiu do controle de Pequim desde a chegada à ilha dos nacionalistas do Kuomintang, expulsos do continente pelos comunistas em 1949.

A China ainda considera Taiwan como um de seus territórios à espera da reunificação. O Parlamento chinês adotou em 2005 uma lei anti-secessão que legitima o recurso à força em caso de declaração de independência formal da ilha.

Afrontado pelas autoridades chinesas, o presidente Chen reforçou a capacidade militar da ilha ao ponto de irritar seu aliado americano - os Estados Unidos temem que a tensão aumente ainda mais na região.

"As eleições são uma fonte de preocupação para Washington e Pequim", disse Wu Tung-yeh, professor da Universidade Nacional de Chengchi.

Em 1996, durante as primeiras eleições presidenciais com sufrágio universal em Taiwan, a China disparou mísseis no estreito entre a ilha e o continente para intimidar os eleitores. Na época, Washington enviou dois porta-aviões.

Os Estados Unidos, que fornecem "armamento defensivo" a Taiwan, não querem que a crise se repita.

Como última provocação antes de deixar o cargo, o presidente Chen fez coincidir o pleito presidencial e um referendo sobre a adesão às Nações Unidas em nome de Taiwan.

A República da China, nome oficial de Taiwan, perdeu em 1971 seu lugar na ONU.

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