PEQUIM (AFP) — O cineasta chinês Zhang Yimou, mestre de cerimônia da abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, é conhecido por suas epopéias patrióticas e por projetos gigantescos, como o show desta sexta-feira, que deve incluir mais de 10 mil figurantes.
Aos 46 anos, Zhang Yimou, como a China, teve uma história difícil. Filho de um oficial do Kuomintang, que lutou contra o Exército Vermelho durante a guerra civil chinesa, Zhang foi obrigado a interromper seus estudos aos 16, durante a Revolução Cultural, quando foi enviado ao campo para ser "reeducado". Durante esse processo, trabalhou três anos em uma fazenda e sete anos em uma tecelagem.
Após descobrir a fotografia, Zhang consegue se inscrever na Escola de Cinema de Pequim, aos 27 anos e, em 1984, experimenta seu primeiro sucesso com Chen Kaige em "Terra amarela", que conta a difícil vida dos camponeses no norte da China.
Considerado um dos principais expoentes da 5ª geração de cineastas do Pós-Guerra, o equivalente da "Nouvelle vague", produziu "O sorgo vermelho", uma história de amor que tem como pano de fundo a invasão japonesa do país, nos anos de 1930. Com esse filme, conquista o Urso de Ouro do Festival de Berlim, em 1998, e se torna conhecido internacionalmente.
Autor de "Adeus, minha concubina", em 1991, enfrenta a censura do governo, que vê na história uma crítica ao regime. Seu filme "Tempo de viver", ganhador do Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes, em 1994, também passa muitos anos na lista dos censores.
Mesmo assim, Yimou rejeita qualquer idéia de deixar o país para trabalhar no exterior. "Não posso considerar ficar separado do país no qual eu cresci", disse ele em uma entrevista, insistindo em que "não entendo o público estrangeiro e nem mesmo falo inglês".
Depois de celebrar o indivíduo, ele se dedica a grandes projetos, lançando-se nos filmes de sabre tradicional, com "Herói", a história do primeiro imperador da China, antes de filmar a Cidade Proibida, cuja produção teve o mais importante orçamento do cinema chinês.
Concebida há três anos como um verdadeiro segredo de Estado, a cerimônia de abertura, dirigida por ele, que começa às 20h08 (9h08 de Brasília) de amanhã, teve um pouco de seu mistério revelado, depois que a emissora de TV sul-coreana SBS conseguiu gravar alguns trechos dos ensaios, no final de julho, divulgando-as pela Internet.
As imagens mostram um espetáculo futurista, com imensos blocos brancos em movimento, imitando um onda, e projeções de luz na forma de animais nas laterais do Estádio Nacional, o Ninho de Pássaro. No centro, um imenso pergaminho é deslocado, sobre o qual os dançarinos evoluem. Também há um imenso globo, além de centenas de figurantes agitando bandeiras vermelhas, enquanto outros batem tambores.
Alguns assistentes de Zhang revelaram ainda que o espetáculo contará a longa história da China, sob as cores de fogos de artifício, e prestará uma homenagem às vítimas do terremoto de maio, em Sichuan.
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