'Meu pai não é terrorista', diz filho de Bin Laden

WASHINGTON (AFP) — Um dos filhos de Osama bin Laden, líder da rede fundamentalista islâmica Al-Qaeda, afirmou que, embora preferisse ver seu pai encontrando "outro caminho" para atingir seus objetivos, não o considera um terrorista, em declarações à rede CNN, nesta segunda-feira.

Na entrevista dada no Egito à emissora americana, falando em inglês, com dificuldades, Omar bin Laden disse ser contra as matanças de civis.

"Tentei dizer ao meu pai: 'tente buscar outro caminho para promover, ou concretizar seu objetivo. Esta bomba, estas armas... Usá-las não é bom para ninguém'", contou o jovem, de 26 anos, que é casado com uma cidadã britânica e vive no Cairo.

Com sua longa cabeleira de trancinhas, ao lado da mulher, Omar garantiu que não fala com seu pai desde 2000, quando deixou um campo de treinamento da Al-Qaeda no Afeganistão.

"Eu lhe disse que iria embora e queria tentar viver e ver como era fora, porque desde muito criança estava com meu pai e havia visto e ouvido apenas meu pai e seus amigos", contou.

"Se isso é o que você escolhe, sua decisão, então, o que posso lhe dizer? Queria ficar com você, mas a decisão é sua", foi a resposta que o homem mais procurado, na atualidade, pelos Estados Unidos deu ao filho.

O quarto dos 11 filhos de Osama bin Laden com sua primeira esposa (sua prole tem 19 ao todo) não acredita que seu pai seja um terrorista.

"Ele acredita que seu trabalho seja ajudar as pessoas (...) Não acho que meu pai seja terrorista, porque a história diz que não é".

"Antes chamavam de guerra, agora é terrorismo", comentou, ao se referir a quando o líder da Al-Qaeda combatia as tropas soviéticas no Afeganistão e "os Estados Unidos o consideravam um herói".

Sobre os ataques do 11 de Setembro, reconheceu que "pessoalmente, não acho que foi bom, mas aconteceu".

Omar bin Laden disse desconhecer onde seu pai está, mas duvida de que possa ser capturado, já que conta com o apoio da população local. Ao ser consultado sobre se o líder fundamentalista se encontra nas montanhas entre o Afeganistão e o Paquistão, respondeu: "talvez, ou talvez não".