Nove franceses são presos por tráfico de crianças no Chade

NDJAMENA (AFP) — A polícia do Chade prendeu nesta quinta-feira nove franceses acusados de seqüestrar 103 crianças originárias da região sudanesa de Darfur, para "vendê-las" na França.

As crianças "seqüestradas" na fronteira entre Chade e Sudão seriam enviadas para Paris com o pretexto de uma evacuação sanitária. Elas foram recuperadas hoje pela polícia antes de seu embarque, informou uma emissora de rádio chadiana.

O secretário de Estado do Interior do Chade, Abderamane Djasnabaille, disse à AFP que os nove franceses eram suspeitos de "tráfico de menores" e estão detidos em Abéché, a principal cidade do leste do país.

O Ministério francês das Relações Exteriores denunciou "com firmeza as condições, nas quais esta operação parece ter se realizado" e anunciou a abertura de uma investigação.

Entre os detidos, há vários membros da ONG "Arca de Noé", que anunciaram, em junho, uma operação para salvar cerca de mil crianças de "uma morte certa" em Darfur.

Membros do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) visitaram as crianças no centro social para onde foram levados. "Estavam assustados, mas pareciam com boa saúde", comentou a porta-voz do Acnur no Chade, Annette Rehrl.

Ainda de acordo com a porta-voz, as crianças têm entre um e nove anos de idade, embora a maioria tenha entre quatro e cinco anos.

Na sexta-feira, anunciou Rehrl, "vamos verificar com o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) de onde vêm e como chegaram até aqui".

Uma fonte diplomática revelou que as famílias que ficariam com as crianças pagaram entre 2.800 e 6.000 euros por cada uma das adoções. As famílias afetadas negaram que se trate de um caso de "tráfico de crianças" e defenderam que o único objetivo era "salvar os menores da morte".

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