Paraguai venderá energia à Argentina e ao Brasil pelo preço justo

BUENOS AIRES (AFP) — O vice-presidente eleito do Paraguai, Federico Franco, afirmou nesta quarta-feira a uma rádio de Buenos Aires que seu país venderá energia para a Argentina e o Brasil a um preço justo, mas não deu detalhes sobre tarifas negociadas.

"Nosso compromisso foi o de facilitar o fornecimento energético, mas a um preço justo. Nem um peso a mais, nem um peso a menos, e sim o preço que corresponde, o justo, o que deve ser", afirmou Franco à rádio La Isla, informou a agência Diarios y Noticias (DYN).

O vice eleito respondeu assim à pergunta se o novo governo renegociará uma alta do preço da energia que comercializa para o Brasil e a Argentina, seus países sócios no Mercosul junto com o Uruguai.

O Paraguai vende para a Argentina e o Brasil o excedente da energia que não consome nas hidroelétricas binacionais de Yacyretá e Itaipu, que compartilha com ambos países, conforme acertado em tratados específicos.

A Argentina pagou por essa energia, em março deste ano, 99,87 pesos (31,25 dólares) por megavatts/hora à binacional Yacyretá, segundo dados da Companhia Administradora do Mercado Atacadista Elétrico (CAMESSA) da Argentina.

O Brasil deve pagar "um preço justo" pela energia hidroelétrica que compra do Paraguai, gerada pela represa binacional Itaipu, insistiu na véspera o presidente eleito Fernando Lugo, em entrevista à imprensa.

A hidrelétrica compartilhada por ambos os países abastece 95% das necessidades de energia elétrica do Paraguai que, por sua vez, equivale a 5% do total gerado em Itaipu. De acordo com o tratado, a cada um dos dois países corresponde à metade da geração, e o Brasil tem o direito de adquirir a preço de custo o que exceder à metade do total gerado.

"Para nós, o preço justo é o preço de mercado", voltou a destacar o presidente eleito domingo.

Lugo, um bispo católico afastado de suas funções religiosas, disse remontar-se ao convênio firmado em 1996 por chanceleres de ambos os países.

Independentemente da renegociação do tratado de Itaipu, o Brasil "está obrigado a cumprir seu compromisso e pagar ao Paraguai o preço justo" que as mesmas autoridades brasileiras estabeleceram no ano de 1966, na "Acta de Foz de Iguazú", especificou.

Lugo, que ganhou por 40% dos votos (contra 31% dados à adversária, a candidata do partido governista Blanca Ovelar) fez da renegociação do tratado uma de suas principais bandeiras para conseguir a simpatia do eleitorado.

Para o presidente eleito, em vez de receber 300 milhões de dólares anuais como agora, o Paraguai deveria cobrar de 1,5 bilhão a 2 bilhões de dólares anuais pela cessão de sua energia ao Brasil, que abastece os estados ricos do sudeste: Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.