WASHINGTON (AFP) — Afetado pela recente polêmica envolvendo seu ex-pastor, Barack Obama, pré-candidato democrata à Casa Branca, está vendo sua vantagem sobre Hillary Clinton diminuir, segundo uma série de pesquisas publicadas nesta quinta-feira, um mês antes das primárias na Pensilvânia (leste dos EUA).
A situação de Obama nunca pareceu tão complicada desde que ele se tornou o favorito democrata, depois de suas vitórias na "superterça" do início de fevereiro.
Segundo uma pesquisa do Instituto Gallup, Hillary Clinton aparece na frente de seu adversário pela primeira vez desde o início de fevereiro, com 49% das intenções de voto contra 42% para Obama.
De acordo com um estudo do Instituto Franklin and Marshall College Poll de Pittsburgh (Pensilvânia), a ex-primeira-dama tem 16 pontos de vantagem sobre Obama na Pensilvânia, onde a primária democrata está marcada para o dia 22 de abril. Segundo esta pesquisa, a senadora do estado de Nova York tem 51% das intenções de voto, contra 35% para Obama. Em fevereiro, segundo o mesmo instituto, Hillary tinha 44% das intenções de voto, contra 37% para Obama.
De acordo com outro estudo publicado terça-feira pela universidade Quinnipiac , a ex-primeira-dama reúne 53% das intenções de voto, contra 37% para Obama.
Essas pesquisas foram realizados num momento em que as redes de televisão e a internet davam um amplo espaço aos sermões incendiários do reverendo Jeremiah Wright, o pastor da igreja freqüentada por Obama em Chicago, antes que o senador de Illinois se explique sobre o assunto.
O pastor, hoje aposentado, considerou em seus sermões que o "terrorismo" americano era responsável pelos ataques de 11 de setembro de 2001, e que os negros americanos deveriam dizer "quer Deus amaldiçoe a América" em vez de "que Deus abençoe a América", devido ao tratamento infligido aos negros nos Estados Unidos.
Obama condenou categoricamente estas declarações "imperdoáveis" do pastor Wright e pediu, durante um vibrante discurso, aos americanos que se reconciliem e superem os preconceitos raciais. "Se cada um ficar no seu canto, não poderemos encarar o fato de que somos capazes de viver juntos", declarou.
O pastor Wright desempenhou um papel muito importante na vida de Obama. Foi ele quem celebrou seu casamento e batizou suas duas filhas. Mais do que um pai espiritual, o pastor foi praticamente um pai de substituição para o senador de Illinois, que teve pouco contato com seu pai biológico.
Em análise publicada nesta quinta-feira pelo New York Times, Adam Nagourney, chefe do serviço político do jornal, afirmou que a equipe de campanha de Hillary deveria insistir na teoria de que a associação Obama-Wright afundará o Partido Democrata na eleição presidencial de novembro. Segundo Nagourney, este argumento pode ser "a última esperança" de vitória para a senadora de Nova York.
Jerry Schuster, professor de ciências políticas na universidade de Pittsburgh, também considerou que as declarações do pastor Wright afetaram significativamente as chances de Obama de vencer na Pensilvânia.
A pesquisa Franklin and Marshall mostra que a porcentagem dos eleitores deste estado que dizem ter uma opinião favorável de Obama caiu 10% em um mês, estabelecendo-se a 47%. Ao contrário, a porcentagem de eleitores que têm uma opinião desfavorável do senador subiu 9%, atingindo 25%.
Hillary Clinton é a candidata favorita das mulheres, sobretudo das com mais de 55 anos, dos brancos e dos assalariados sindicalizados. Obama é o preferido dos eleitores negros, dos que têm um nível de educação elevado e dos que recebem altos salários, destaca o estudo.
Copyright © 2009 AFP. Todos os direitos reservados. Mais »
