BRUXELAS (AFP) — A Rússia anunciou, nesta segunda-feira, a intenção de enviar à Venezuela aviões de luta antisubmarina, em mais uma demonstração de seu desejo de desafiar a "hegemonia" norte-americana.
Moscou também enviará a Caracas um navio de propulsão nuclear e um navio de luta anti-submarina.
"Isso será obviamente interpretado como um aumento da tensão (entre Estados Unidos e Rússia), o que é preocupante", comentou Thomas Gomart, do Instituto francês de Relações Internacionais (IFRI).
Apesar de sua vitória militar, "os russos saíram enfraquecidos da crise georgiana, tendo recebido o apoio de poucos países, como a Venezuela e a Síria", explicou.
"Eles podem transformar as convergências diplomáticas em uma intensificação da cooperação militar" com estes países, declarou.
Para Gomart, a iniciativa de Moscou "corresponde a dois objetivos: contestar, cada vez mais abertamente, a hegemonia americana, e apoiar os movimentos de nacionalização das políticas energéticas encarnados pelo presidente venezuelano Hugo Chávez".
Segundo o analista Matthew Clement, "o envio temporário de um número reduzido de aviões" à Venezuela tem um significado "essencialmente simbólico".
Para Clement, a Rússia não pretende voltar à Guerra Fria, mas enviar a mensagem de que se os ocidentais atuarem em sua esfera de influência, ela poderá fazer o mesmo.
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