BOGOTÁ (AFP) — Um fórum de especialistas criticou o projeto de ligar a Amazônia brasileira ao porto colombiano de Tumaco, sobre o Oceano Pacífico, por considerar que isso afetaria as comunidades indígenas da região e ameaçaria o meio ambiente.
"Seria perigoso porque a variante passaria pela reserva florestal mais importante do mundo", disse Vince Mc Elhinny, do programa latino-americano do Centro de Informação Bancária, durante um fórum sobre os efeitos ambientais da integração sul-americana realizado na universidade Nacional de Bogotá.
A iniciativa não só atentaria contra os direitos dos camponeses, indígenas e colonos, mas também poderia acelerar a mudança climática ao afetar a grande reserva florestal da Amazônia, afirmou Elhinny.
A hidrovia sobre o rio Putumayo (que marca a fronteira da Colômbia com o Equador e o Peru) e a estrada entre os povoados colombianos de Mocoa e Tumaco, fazem parte dos projetos que a iniciativa brasileira de Integração da Infra-estrutura Regional da América do Sul (IIRSA) planeja construir nos próximos 20 anos.
"Isso é o pior que nos poderia acontecer (...), traria como conseqüência a aceleração de nossa destruição e nosso deslocamento forçado", disse no fórum o índio colombiano Diego Escobar, representante indígena da Coordenadoria do Meio Ambiente da Bacia Amazônica.
Com opinião semelhante, a pesquisadora colombiana Margarita Florez, autora do livro 'Selva Aberta', advertiu que apesar da "rejeição da comunidade local e internacional, o projeto continua avançando silenciosa e perigosamente".
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