CHICAGO, EUA (AFP) — Avanços médicos mostram que bebês do sexo masculino têm maiores chances de morrer do que os do sexo feminino, de acordo com uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira.
Uma análise da mortalidade infantil em 15 países desenvolvidos apontou que os bebês do sexo masculino têm 24% a mais de probabilidade de morrer que os do sexo feminino.
A taxa é baixa se comparada à de 1970, quando bebês do sexo masculino tinham 31% de chances de morrer, apesar de hoje em dia os avanços nas vacinas e medidas de saúde pública terem melhorado e as taxas de mortalidade infantil diminuíram.
'Ao longo das melhoras históricas da taxa de mortalidade infantil, bebês do sexo masculino mostraram uma vulnerabilidade inesperada', ressaltou a pesquisa publicada pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.
'À medida que a mortalidade infantil diminui, as mortes na infância se concentram cada vez mais entre os nascidos com algum tipo de deficiência', completou.
Para os bebês de sexo masculino, a desvantagem começa no útero. As meninas têm um sistema imunológico mais forte enquanto que os meninos têm 60% mais de chances de nascer prematuros e sofrer de problemas respiratórios e outras complicações. Os meninos tendem a provocar partos com maior risco e dificuldade, por terem o corpo e a cabeça maiores.
Antigamente, quando as condições de saúde e higiene eram piores, a diferença entre os sexos não era relevante: de 1751 a 1870 a diferença era de apenas 10 a 15%.
O desenvolvimento da teoria dos germes reduziu drasticamente as taxas de doenças infecciosas e transformou as complicações do parto e de partos prematuros em causas de morte comuns.
A diferença das taxas entre os dois sexos aumentou notavelmente à medida que a taxa de mortalidade infantil diminuiu e só quando as cessarianas e as melhorias nos exames neonatais começaram é que os números se inverteram.
Apenas 5% dos bebês nascidos até 1970 foram por cesária, enquanto que atualmente são mais de 20% dos nascimentos nos 15 países desenvolvidos usados como base na pesquisa.
'As mudanças nas práticas obstétricas e na medicina neonatal salvam todos os bebês, menos os mais debilitados, especialmente os do sexo masculino que os do sexo feminino, já que os meninos eram mais vulneráveis', concluíram os pesquisadores.
Os 15 países que participaram da pesquisa foram Suécia, França, Dinamarca, Inglaterra, Noruega, Holanda, Itália, Suíça, Finlândia, Estados Unidos, Espanha, Austrália, Canadá, Bélgica e Japão.
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