QUITO (AFP) — O Brasil está negociando com os russos que desejarem estabelecer fábricas militares na América do Sul ante a dificuldade que a Venezuela tem de dar manutenção aos aviões que comprou de Moscou, disse o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a um jornal equatoriano.
Jobim, que visitou Quito na terça-feira, considerou um erro o veto imposto pelos Estados Unidos à Venezuela para comprar armamento, porque "o presidente Hugo Chávez acabou comprando aviões da Rússia", segundo o jornal El Comercio em uma entrevista publicada nesta quinta-feira.
"Isso criou um problema logístico: como fazer para realizar a manutenção desses aviões, vão para Moscou? É uma distância imensa, por isso estamos negociando, conversando com os russos que desejam instalar fábricas na América do Sul", afirmou Jobim.
A Venezuela fortaleceu seu poderio bélico nos últimos anos comprando da Rússia 24 caças Sukhoi, 53 helicópteros e 100.000 fuzis kalashnikov, no valor de 3,5 bilhões de dólares.
Os Estados Unidos proibiram que Espanha, França e Brasil vendessem armamentos a Chávez, alegando que os equipamentos têm componentes norte-americanos, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), com sede em Londres.
O ministro brasileiro conclui uma viagem por vários países para promover a criação de um Conselho de Defesa Sul-Americano, que de acordo com ele poderá estabelecer uma política regional sem que isso implique um contrapeso à influência militar dos Estados Unidos.
"Os Estados Unidos podem ter suas políticas, mas isto é um problema nosso. Somos nós que devemos ter uma política própria", comentou em sua entrevista concedida ao El Comercio.
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