PARIS (AFP) — Cerca de 44 milhões de eleitores foram convocados às urnas para o primeiro turno das eleições municipais de domingo na França, que as pesquisas anunciam como desfavoráveis para a direita majoritária, dez meses depois da eleição de Nicolas Sarkozy à Presidência.
No momento em que a popularidade do chefe de Estado segue em baixa, a oposição, com o Partido Socialista à frente, fez um apelo ao eleitorado para que lance uma "advertência" ao governo.
Os socialistas têm a esperança de que o voto seja um símbolo de punição a Sarkozy e esperam uma vitória que os permita se recuperar de sua derrota nas eleições presidenciais de maio de 2007, quando suas divergências internas ainda não tinham sido resolvidas.
A direita, por outro lado, acusa a oposição de sonhar ilusoriamente com um "terceiro turno" das últimas eleições e defende o caráter exclusivamente local do processo eleitoral de domingo.
Nicolas Sarkozy, que se manteve em segundo plano durante a campanha, e seu primeiro-ministro, François Fillon, advertiram que quaisquer que sejam os resultados, não causarão mudanças em sua política, rejeitando assim as especulações relacionadas a uma importante reforma ministerial após as eleições.
Um em cada dois franceses considera que se a direita "perder várias grandes cidades" nestas eleições, significará uma "derrota pessoal" para o presidente Sarkozy, segundo uma sondagem divulgada no sábado.
Nessa pesquisa BVA-Orange-L'Express, 43% das pessoas consultadas consideram que um eventual resultado desfavorável para a direita "não envolverá realmente Nicolas Sarkozy".
Cada campo fixou alguns objetivos: o líder do Partido Socialista, François Hollande, quer reconquistar 30 das 40 cidades perdidas em 2001 para ter "um pouco mais de cidades" de mais de 20.000 habitantes governadas pela esquerda (223 da direita contra 178 da esquerda atualmente).
O secretário da União por um Movimento Popular (UMP-direita), partido de Sarkozy, Patrick Devedjian, espera "vencer em quinze grandes cidades de mais de 30.000 habitantes" nestas eleições e manter "Marselha e Toulouse".
A direita dirige atualmente pouco mais da metade das cerca de 350 cidades de mais de 30.000 habitantes e capitais de departamentos.
Segundo as últimas pesquisas, a esquerda manteria sem muita dificuldade Paris, Lyon, Lille, Nantes e Montpellier, e poderá reconquistar cidades emblemáticas como Estrasburgo ou Toulouse, e ganhar Caen, Rouen, Tarbes e Blois.
Em cidades importantes, como Marsella, a eleição se anuncia disputada, com o socialista Jean-Noel Guérini no encalço do vice-presidente da UMP, Jean-Claude Gaudin.
Em Bordeaux, o ex-primeiro-ministro da direita e atual prefeito Alain Juppé espera manter sem problemas sua liderança nesta localidade.
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