SYDNEY (AFP) — Os dirigentes dos países integrantes do Foro de Cooperação Ásia Pacífico (Apec) pediram a todos os membros que intensifiquem seus esforços para chegar a um acordo na Organização Mundial do Comércio (OMC), em um apelo urgente lançado neste domingo, ao término da cúpula da Apec em Sydney.
Em um momento em que as negociações comerciais estão paralisadas há vários meses, os dirigentes concordaram sobre a necessidade de lançar um "apelo urgente a todos os países envolvidos na Rodada de Doha para que intensifiquem seus esforços", declarou o primeiro-ministro australiano John Howard, cujo país organizou a cúpula.
Os países membros do Apec, entre eles Estados Unidos, Rússia, China e Japão, insistiram no fato de que "a agricultura e os produtos industriais são os dois problemas prioritários".
Iniciada em 2001, a Rodada de Doha tem como meta liberalizar mais o comércio mundial em prol dos países em desenvolvimento.
Estes países pedem à União Européia e aos Estados Unidos que diminuam significativamente os subsídios agrícolas. Europeus e americanos, por sua vez, querem que as economias emergentes abram mais suas indústrias e seus serviços.
Depois de aprovar, no sábado, uma declaração de cumprimento não obrigatório sobre o clima, os líderes do APEC, entre os quais os presidentes russo, Vladimir Putin, e chinês, Hu Jintao e o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, se reuniram neste domingo para evocar temas ligados ao comércio.
O presidente americano, George W. Bush, não participou destas discussões porque decidiu voltar mais cedo a Washington, antes dos depoimentos cruciais sobre o Iraque previstos segunda e terça-feira no Congresso. Os Estados Unidos foram representados nas reuniões deste domingo pela secretária do Comércio Susan Schwab.
Numa declaração comum, os participantes da cúpula insistiram na necessidade de um "resultado equilibrado" na OMC, que permitiria "melhorar significativamente o acesso aos mercados dos produtos agrícolas e industriais e dos serviços", assim como "reduzir de maneira significativa os subsídios agrícolas".
"Discussões intensivas foram mantidas esta semana em Genebra, e assumimos um compromisso de vontade, flexibilidade e ambição política para garantir que as negociações de Doha entrem em sua fase final ainda este ano", prosseguiram, conclamando seus "parceiros a se unirem a eles neste esforço".
A declaração foi publicada um dia depois de o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, ter pedido uma maior "vontade política" para sair do impasse.
O premier australiano quis fazer do comércio e do clima duas prioridades da cúpula do APEC.
Também ficou determinado que vários países latinos e asiáticos, que aspiravam ingressar no Apec, deverão esperar pelo menos até 2010, conforme anunciou Howard.
Colômbia, Costa Rica, Equador e Panamá pretendiam entrar para o grupo no próximo ano, depois que vencesse uma moratória de 10 anos decretada em 1997 para o ingresso de novos membros neste foro.
"Aceitamos ver a entrada de novos membros em 2010", afirmou John Howard.
Além dos latinos, a maior expectativa de ampliar membros era da parte a Índia, país que há vários anos visa a pertencer ao foro, já que considera sua localização geográfica, a interação de seu comércio, seus investimentos e o tamanho de sua economia fatores a serem levados em conta para a adesão.
Nenhuma razão foi dada para a não aceitação de novos membros, mas antes do anúncio de que a moratória continuaria, Howard assinalou que "os líderes apoiaram uma série de medidas para fortalecer e profissionalizar o Apec como instituição".
Isso coincide com a recomendação feita por funcionários técnicos do Apec de primeiro consolidar o que já existe antes se ampliar.
Os dirigentes também aproveitaram a oportunidade para falar de vários outros assuntos como a guerra no Iraque, o programa nuclear da Coréia do Norte ou o projeto americano de escudo antimísseis na Europa, que irrita profundamente a Rússia.
Para receber seus hóspedes, a Austrália instalou o maior esquema de segurança de sua história.
Mais de 5.000 policiais foram mobilizados para o evento, e 5 km de barreiras de concreto foram instalados no coração turístico de Sydney, isolando completamente a ópera, onde se reuniram os dirigentes na noite de sábado.
O objetivo era conter qualquer problema durante as manifestações contra a guerra. Segundo a polícia, somente 3.000 a 5.000 pessoas protestaram no sábado.
O APEC reúne Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, Estados Unidos, Hong Kong, Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua-Nova Guiné, Peru, Filipinas, Rússia, Cingapura, Coréia do Sul, Taiwan, Tailândia e Vietnã.
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