Equador nega relação com as Farc e denuncia cortina de fumaça da Colômbia

BOGOTÁ (AFP) — O vice-ministro equatoriano da Defesa, Miguel Carvajal, negou nesta segunda-feira que seu país tenha relações com a guerrilha das Farc, como assegura o governo colombiano.

"Não temos relações com grupos irregulares e lamentamos muito esta tentativa de nos envolver com as Farc", afirmou Carvajal falando à rádio Caracol.

O vice-ministro assegurou que a denúncia colombiana sobre uma "convivência" entre o governo equatoriano e as Farc é "uma cortina de fumaça" para ocultar a violação da soberania de seu país por parte da Colômbia durante o ataque em que foi morto, no sábado, o número dois dessa guerrilha, Raúl Reyes, e pelo menos outros 16 rebeldes.

"Parece uma manobra de distração para evitar o problema real, o fato que houve uma incursão militar na qual ocorreu um massacre em território equatoriano, sem conhecimento ou informação das autoridades equatorianas", afirmou Sandoval.

O funcionário acrescentou que Quito não tem "nenhuma informação oficial" sobre supostas reuniões entre Reyes e o ministro equatoriano da Segurança Interna e Externa, Gustavo Larrea, denunciada por Bogotá com base em documentos apreendidos com o guerrilheiro morto, e pediu para "tomar cuidado com uma manipulação da informação".

Carvajal recordou que Larrea integrou no final de 2007 uma comissão internacional que receberá dois reféns das Farc na Colômbia.

"Não há nenhuma autorização nem nenhuma política de nenhum funcionário do governo equatoriano para ter, fora disso, contato com nenhum grupo irregular", afirmou.

Anteriormente, o embaixador de Quito em Bogotá, Francisco Suescum, classificou de mentira a denúncia colombiana sobre supostas ligações entre a guerrilha colombiana das Farc e o governo equatoriano.

"É uma mentira. O governo do Equador, o presidente Rafael Correa, o ministro da Segurança Interna e Externa, Gustavo Larrea, jamais poderiam ter uma atitude desta natureza", afirmou o diplomata, que voltou de Bogotá a pedido do presidente equatoriano.

"Este tipo de informação tendenciosa, que tergiversam a realidade desses fatos, é um ato que merece a rejeição total de qualquer pessoa civilizada", enfatizou Suescum.

O governo da Colômbia acusou nesta segunda-feira o Equador de "convivência" com as Farc e assinalou que isso explica sua reação irada pela morte em seu território do número dois dessa guerrilha, Raúl Reyes, durante uma operação militar das forças colombianas.

"Esse é o fundo do problema, uma convivência, uma espécie de associação do governo do Equador com a guerrilha para buscar objetivos comuns, o que explica toda essa atitude, esta reação", afirmou o ministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos, falando à rádio RCN.

"Ao invés de manter a atitude inicial, que foi amável, agora reagem violentamente porque acabamos com um aliado, acabamos com um sócio, acabamos com uma pessoa que estava fazendo tratos com eles", acrescentou, aludindo a Reyes, morto no sábado durante uma operação do lado equatoriano da froneira.

No domingo, a Colômbia acusou o presidente equatoriano Rafael Correa de compromissos com as Farc e revelou documentos nos quais menciona o interesse de Quito em manter relações com os guerrilheiros.

"Isso é muito grave, é o debate que precisamos fazer internacionalmente, porque todos os países estão obrigados a seguir os protocolos frente ao terrorismo. Ninguém pode dar apoio e abrigo a terroristas que estão atacando terceiros países a partir de seus territórios", afirmou o ministro.