Defensores dos direitos humanos precisam de criatividade para protestar nos JO

PEQUIM (AFP) — Os ativistas dos direitos humanos e do Tibete livre terão de dar provas de grande criatividade para tentar driblar a segurança draconiana dos Jogos Olímpicos de Pequim se quiserem enviar suas mensagens ao mundo.

A primeira ação aconteceu nesta quarta-feira, a dois dias da abertura oficial do evento. Quatro estrangeiros, três homens e uma mulher, desafiaram as autoridades chinesas colocando uma faixa com a frase "Tibete livre" em frente ao estádio nacional. Os dois britânicos e dois americanos, que haviam entrado com vistos de turista no país, foram detidos pela polícia, 12 minutos depois de pendurarem a bandeirola, informou a agência oficial Nova China.

Segundo o grupo Students for a Free Tibet, no entanto, os militantes chegaram a ficar cerca de uma hora e meia perto do "Ninho do Pássaro".

Há algumas semanas, os grupos pró-Tibete convocaram os atletas participantes dos Jogos Olímpicos a fazerem um simples gesto com a mão para mostrar seu apoio à causa.

Militantes dos Direitos Humanos també anunciaram a intenção de se vestir de laranja ou de usar pulseiras para se manifestar nos estádios.

As autoridades, alegando a ameaça terrorista, puseram nas ruas um grande dispositivo de segurança e advertiram que não vão tolerar nenhuma perturbação.

Mas o sinal T, o dos treinadores do basquete para pedir tempo de jogo, é difícil de impedir. Este gesto poderia ser um meio eficaz de se fazer entender, segundo o grupo londrino Free Tibet Campaign que lançou a campanha terça-feira.

"Precisamos agora de alguns atletas valentes dispostos a mostrar que se interessam pelos direitos humanos fazendo um T em Pequim", disse a diretora do grupo, Anne Holmes.

O grupo recebeu o apoio de uma antiga ministra britânica do Esporte, a parlamentar Kate Hoey. "Seria lindo se os atletas britânicos expressassem um gesto de apoio ao povo tibetano", disse.

Nesta quarta-feira, a organização denunciou a decisão dos chineses de revogar o visto concedido a um de seus militantes, o americano Joey Cheek, medalha de ouro na patinação de velocidade nos Jogos Olímpicos de Inverno de Turim em 2006.

O grupo A Cor Laranja, criado por um escultor dinamarquês, também encontrou uma maneira simples e sem risco de se manifestar: pedir ao público e aos atletas vestirem alguma roupa de cor laranja durante os Jogos Olímpicos para denunciar os abusos aos direitos humanos na China.

"Até descascar uma laranja, em algumas circunstâncias, pode ser uma poderosa mensagem", destacou em seu site www.thecolororange.net.

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