LORETO, Itália (AFP) — O Papa Bento XVI deixou no final da tarde o santuário mariano de Loreto, no centro da Itália, após dois dias de peregrinação em companhia de 500.000 jovens italianos e de um sermão marcado, principalmente, pelo apelo à defesa do meio ambiente e à proteção do planeta - um assunto que exige "uma ação urgente".
Bento XVI partiu de helicóptero para a residência de verão de Castel Gandolfo, depois da missa ao ar livre durante a qual pediu aos fiéis que fossem "humildes" e "sinceros" em suas opções de vida, respeitando o meio ambiente.
Denunciando "um desenvolvimento que nem sempre protegeu o equilíbrio frágil da natureza", o papa a encorajou os peregrinos a "fazer escolhas corajosas antes que seja muito tarde".
Também fez um apelo à "recriação de um elo forte entre o Homem e a Terra" e a "inverter as tendências que podem tornar irreversíveis as degradações".
A maioria dos jovens peregrinos italianos -que a polícia estimou em meio milhão- passou a noite acampada em barracas instaladas na grande campo onde foi celebrada a missa, a poucos quilômetros do santuário dedicado à Virgem Maria.
"Vão contra a corrente, não ouçam as vozes que são muitas que fazem propaganda de modelos de vida baseados na arrogância e na violência, no sucesso a qualquer custo, na aparência e nos bens materiais", pediu.
O Papa defendeu "um estilo de vida sóbrio e solidário, relações afetivas sinceras e puras, um interesse pelo bem comum".
Para que a missa de Loreto tivesse o menor impacto possível no meio ambiente, cada peregrino recebeu em sua chegada uma pequena bolsa "ecológica" com um livro de orações em papel reciclado, um carregador de baterias acionado manualmente à manivela, e materiais feitos com lixo biodegradável.
O Papa chegou a Loreto no sábado e presidiu uma longa jornada de orações fazendo também uma visita ao santuário dedicado à Virgem Maria, que atrai a cada ano entre três e quatro milhões de fiéis.
"O apelo do papa ao meio ambiente me agradou, porque é um problema que deve envolver toda a humanidade; as decisões não podem ser tomadas país por país", declarou o chefe do governo italiano, Romano Prodi, em Amã, na Jordânia.
"O apelo do papa terá repercussões nas consciências", acrescentou Prodi, citado pela agência Ansa.
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