WASHINGTON (AFP) — A luta contra a prostituição infantil deve passar por um combate aos clientes e por uma erradicação da "cultura da tolerância" que reina por todo o mundo, inclusive nas ruas de Washington, anunciou nesta quinta-feira um relatório financiado pelo departamento de Estado americano.
O documento, elaborado pela associação "Shared Hope International" (SHI), criada para retirar as crianças da prostituição, apresenta um longo estudo sobre a indústria do sexo na Jamaica, no Japão, na Holanda e nos Estados Unidos.
"Embora sejam muito diferentes de um ponto de vista cultural, social, econômico e histórico, esses países compartilham uma cultura da tolerância, que permite que as indústrias de turismo sexual local e internacional prosperem", afirma o relatório.
"O mercado da exploração e turismo sexual funciona como um centro comercial. Os clientes continuam a comprar produtos humanos de idades e cores variadas", explicou Linda Smith, presidente da SHI.
"Enquanto os clientes continuarem comprando (...), o centro comercial continuará aberto", afirmou Smith, afirmando ainda que, no ano passado, por exemplo, a polícia de Las Vegas prendeu 153 prostitutas menores de idade mas nenhum dos seus clientes.
Mark Lagon, responsável pelas questões relacionadas ao tráfico de seres humanos do departamento de Estado americano, criticou as políticas de regulamentação da prostituição, como as existentes na Holanda. "Um mercado de prostituição regulamentado pelo Estado é um imenso ímã para o tráfico".
"Quando a prostituição é tolerada, aos atos de violência mais brutais surgem inevitavelmente", insistiu.
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