LIMA, Peru (AFP) — O presidente peruano, Alan García, pediu neste sábado mais investimentos e atenção do Brasil para seu país, durante uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual foram assinados acordos de biocombustíveis e no setor energético para a construção de uma refinaria.
"O que esperamos do Brasil? Esperamos muito mais do que temos", disse García a Lula, em um seminário de empresas de ambos os países, inaugurado pelos dois presidentes.
García ainda reclamou: "300 milhões de dólares (investimento brasileiro em 2007), ou 1 bilhão de investimento (total que o Brasil tem no Peru) com um vizinho imediato é muito pouco".
"Parece que as empresas brasileiras não querem vir, ponham mais impostos (no Brasil, para que tenham de sair)", brincou García, sugerindo a Lula que preste mais atenção nos outros países da região.
A platéia de empresários não foi nem um pouco receptiva ao comentário.
O presidente anfitrião também alfinetou a Petrobras, a segunda petroleira no Peru, que "caminha lentamente, e poderíamos fazer tanto!".
Lula comparou a atenção do Brasil para com seus vizinhos no continente a um pai que se preocupa com os filhos que são mais problemáticos.
"O fato de o Brasil não estar com uma relação com o Peru tão cotidiana como com outros companheiros da América do Sul é porque parece que a paz reina no Peru, os conflitos são infinitamente menores e estão produzindo resultados", disse Lula, ao elogiar a economia peruana.
O presidente brasileiro lembrou que as relações comerciais de ambos os países quadruplicaram em cinco anos, passando para 2,6 bilhões de dólares em 2007 (favorável em 600 milhões para o Brasil), e que a Petrobras é a segunda maior petroleira no país.
"Eu te garanto que o investimento da Petrobras (no Peru) crescerá, e a participação do setor energético (do Brasil) crescerá", insistiu Lula.
No seminário, ambos decidiram organizar um fórum de empresários em julho, ou agosto, em São Paulo.
A Petrobras tem um investimento atual no Peru de cerca de 580 milhões de dólares, disse o gerente local da empresa, que em 2009 prevê começar a perfurar na Amazônia.
Os dois presidentes participaram da cerimônia de assinatura de um acordo de intenções para a construção de uma refinaria de produção de etileno e polietileno. O investimento é estimado em 1,5 bilhão de dólares, mas ainda depende de acordos de fornecimento de gás, informou à AFP o gerente da Petrobras no Peru, Pedro Grijalba.
Também foi assinado o acordo da empresa brasileira Braskem e da peruana Petroperú, e a Petrobras. O objetivo é que a petroquímica atenda ao mercado peruano e da costa do Pacífico - Chile, Equador, Colômbia e Estados Unidos.
Os presidentes também presenciaram a assinatura de outros dois acordos: um de integração energética, firmado pelos Ministérios de Minas e Energia; e outro para a promoção de culturas alternativas para produzir biocombustíveis.
O encontro rendeu ainda acordos de apoio em mineração, erradicação do trabalho escravo e modernização da administração pública.
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