ROMA (AFP) — Quatro mafiosos italianos, dentre os quais o suposto herdeiro da Cosa Nostra, foram presos na manhã desta segunda-feira na Sicília, num dos mais duros golpes contra essa organização criminosa desde 2006, quando seu então chefe, Bernardo Provenzano, foi capturado.
A polícia prendeu os quatro homens na manhã desta segunda-feira em uma casa de campo em Giardinello, nas proximidades de Palermo, informou a polícia local à AFP.
Salvatore Lo Piccolo, de 65 anos, foragido há 23, é considerado o sucessor de Provenzano. Ele teria assumido o posto depois de ter conseguido eliminar Matteo Messina Denaro, com quem disputava o comando desta organização criminosa, de acordo com a imprensa italiana.
Bernardo Provenzano, de 74 anos, foi preso em 11 de abril de 2006 na cidade de Corleone (Sicília) depois de 43 anos de buscas.
"Lo Piccolo era o único que poderia herdar a sucessão de Provenzano. Ele já era o chefe da máfia de Palermo e tentava alcançar o topo da organização", declarou o procurador nacional antimáfia, Piero Grasso, reconhecendo as ações desta segunda-feira como "um grande passo adiante na luta contra a Cosa Nostra".
Os cerca de 40 de policiais, que provocaram um forte tiroteio, mas não causaram vítimas, invadiram a casa de campo onde os quatro mafiosos estavam reunidos, segundo a agência Ansa.
Os quatro homens, todos armados no momento de sua prisão, estão na lista das 30 pessoas mais procuradas da Itália. Dois outros mafiosos de menor importância foram presos durante a incursão, segundo a mesma fonte.
Além de Salvatore Lo Piccolo, os outros criminosos presos eram seu filho Alessandro, de 32 anos, foragido há dez anos, Andrea Adamo e de Gaspare Pulizzi, de acordo com a Ansa.
"Papai, eu te amo", gritou aos prantos o jovem Piccolo para seu pai, no momento de sua prisão.
Dinheiro e armas foram descobertos na casa onde a reunião ocorreu.
"Nós estamos extremamente satisfeitos. As pessoas presas não são apenas fugitivas, mas chefões da máfia", ressaltou o procurador de Palermo, Francesco Messineo, citado pela Ansa.
"Agora nós podemos esperar conseqüências positivas no que diz ao desmantelamento do aparato criminoso" da máfia, acrescentou ele.
"Foi um dia extraordinário para a democracia italiana e a luta contra a máfia. Os dois Lo Piccolo são os chefões responsáveis pela reestruturação da máfia depois da prisão de Provenzano. Eles tinham assumido o papel de mediadores com a máfia americana", ressaltou Francesco Forgione, presidente da comissão parlamentar antimáfia.
O governador da Sicília, Salvatore Cuffaro, por sua vez, comemorou este "golpe mortal" contra a Cosa Nostra.
As prisões foram realizadas em um momento simbólico, exatamente no "dia da memória", quando Palermo presta homenagem a todas as vítimas da máfia.
Cosa Nostra, a mais célebre das máfias italianas, é uma potente organização criminosa que regula não só o cotidiano econômico, mas também política da Sicília.
Entre as centenas de assassinatos que lhe são atribuídos, se destacam as dos juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino em 1992 que chocaram o país.
O valor dos negócios das máfias italianas (Cosa Nostra, a Camorra napolitana, a 'Ndrangheta calabresa, a Sacra Corona Unita da região de Púglia) passa dos 90 bilhões de euros, ou seja, 7% do produto interno bruto (PIB) da Itália, segundo um recente estudo da associação de empresários e comerciantes italianos Confesercenti.
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