DIJON, França (AFP) — A justiça francesa anunciou nesta sexta-feira ter ordenado a realização de uma necropsia do corpo de Chantal Sébire, uma mulher que sofria de um tumor no rosto e que faleceu quarta-feira depois de ter pedido, em vão, o direito à eutanásia.
"A justiça deve saber se a morte foi natural ou se alguém a ajudou a se suicidar", declarou Jean-Pierre Alacchi, procurador da República de Dijon (centro-leste da França), durante uma entrevista coletiva.
A ex-professora de 52 anos, mãe de três filhos, desfigurada por um raro tumor incurável, foi encontrada morta por sua filha quarta-feira em sua casa de Plombières-les-Dijon, dois dias depois da rejeição pela justiça francesa de sua demanda de ser submetida à eutanásia.
Segundo o procurador, "o estado desta pessoa não provocou diretamente sua morte", mas a autópsia não permitiu identificar uma "causa específica que possa explicar a morte" de Chantal Sébire.
Ele destacou que "estão sendo realizadas" análises toxicológicas de substâncias encontradas no corpo da ex-professora.
Chantal Sébire tinha desde 2002 um estesioneuroblastoma, um tumor muito raro - 200 casos registrados no mundo em 20 anos - que se desenvolve na cavidade nasal.
O advogado de Sébire, Gilles Antonowicz, qualificou nesta sexta-feira de "grotesca e indevida" a necropsia praticada no corpo de sua cliente.
"Que a morte seja natural ou não, que deixem Chantal Sébire e seus filhos em paz", declarou à AFP, ressaltando que de qualquer forma "não existe na França o crime de ajuda ao suicídio".
O médico particular de Sébire, Emmanuel Debost, considerou a autópsia "inútil".
O caso de Chantal Sébire reacendeu na França o debate sobre a eutanásia ativa legal, praticada na Holanda, na Bélgica, em Luxemburgo e na Suíça.
Na França, uma lei de 2005 instaurou, em alguns casos, um tipo de direito de "deixar morrer" pela suspensão do tratamento, mas não autoriza os médicos a praticarem uma eutanásia ativa.
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