EUA: Departamento de Estado admite violação da vida privada dos candidatos
WASHINGTON (AFP) — O departamento de Estado americano revelou nesta sexta-feira que funcionários de seu ministério violaram a vida privada dos principais candidatos à eleição presidencial de novembro ao acessar indevidamente seus registros de passaportes.
Segundo o departamento de Estado, o registro do passaporte do candidato democrata Barack Obama foi examinado ilegalmente três vezes em janeiro, fevereiro e março deste ano, por funcionários que foram imediatamente punidos.
Sean McCormack, porta-voz do Departamento, também reconheceu que os registros da candidata democrata Hillary Clinton e do republicano John McCain foram examinados, em 2007 para a ex-primeira-dama e em 2008 para o senador do Arizona.
A secretária de Estado, Condoleezza Rice, apresentou pessoalmente suas desculpas aos três candidatos.
"Disse a ele que sinto muito, e que eu ficaria furiosa se soubesse que alguém acessou meu registro de passaporte", declarou Rice à imprensa depois de ligar para Obama.
A secretária de Estado telefonou em seguida a Hillary Clinton para lhe transmitir "a mesma mensagem", antes de ligar para John McCain em Paris, onde o senador acabava de se encontrar com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, informou McCormack durante uma entrevista coletiva.
O porta-voz afirmou ignorar os motivos desta intrusão, que qualificou de "curiosidade imprudente". Ele não descartou, porém, eventuais motivações políticas.
O registro de passaporte que todo cidadão americano precisa preencher para pedir a renovação inclui informações sobre o estado civil do requerente, como sua data de nascimento e seu endereço, mas também o número de seu cartão de seguro social que, nos Estados Unidos, é utilizado por muitos estabelecimentos financeiros para obter créditos.
O formulário também inclui uma linha sobre a data da viagem para a qual o documento é pedido, sua duração e os países que o requerente tem a intenção de visitar.
McCormack não soube dizer se as informações às quais os funcionários tiveram acesso se limitaram a este registro.
O departamento de Estado abriu uma investigação em colaboração com o departamento da Justiça, mas o Congresso americano anunciou que lançará sua própria investigação.
"Este caso talvez seja diferente do caso dos colaboradores de George Bush (pai) examinando o registro do passaporte de Bill Clinton durante a campanha eleitoral de 1992", comentou Howard Berman, presidente da comissão das Relações Exteriores da Câmara dos Representantes.
"No entanto, este caso também foi qualificado de isolado quando surgiram os fatos", acrescentou.
O departamento de Estado americano informou na quinta-feira a demissão de dois funcionários de uma empresa encarregada da fabricação de passaportes para o governo dos Estados Unidos e que um terceiro, diretamente empregado por ele, foi punido. Os três haviam acessado sem autorização o registro do pedido de renovação do passaporte de Barack Obama.
Nesta sexta-feira, o departamento de Estado revelou que seu funcionário, que foi simplesmente punido, também acessou os dados de McCain. "Estamos avaliando nossas opções sobre a permanência no emprego" desta pessoa, declarou McCormack.

