PARIS (AFP) — A direita no poder na França sofreu uma dura derrota neste domingo nas eleições municipais, ao perder várias grandes cidades para o Partido Socialista (PS), um revés que atinge em cheio o presidente Nicolas Sarkozy, após dez meses no poder.
A oposição socialista tomou da direita as grandes metrópoles regionais de Estrasburgo (leste) e Toulouse (sudoeste).
No entanto, o partido de direita UMP (União por um Movimento Popular) conseguiu manter sua prefeitura de Marselha (sudeste), a segunda maior cidade da França, evitando uma derrota ainda pior no âmbito nacional.
Em todas as partes do país, a esquerda socialista consolidou sua vitória do primeiro turno, tomando da UMP cidades como Caen (oeste), Reims (nordeste), Amiens (norte), Blois (centro) ou Angoulême (oeste).
Ela também conquistou a cidade de Périgueux (sudoeste) ao derrotar o ministro da Educação Xavier Darcos, que havia recebido o apoio de todos os principais dirigentes da UMP.
A ministra da Economia Christine Lagarde foi derrotada em Paris, e a secretária de Estado para os Direitos Humanos Rama Yade, que contava com o apoio particular do presidente Nicolas Sarkozy, foi superada na periferia da capital francesa.
Em Paris, o prefeito socialista Bertrand Delanoë foi reeleito com mais de 57% dos votos, mas a direita ficou com os distritos que já possuía.
Ao término desta eleição marcada por uma forte abstenção (cerca de 35%), a esquerda afirmou que a política de Sarkozy foi "reprovada" pelos franceses.
A ex-candidata socialista à eleição presidencial, Ségolène Royal, pediu ao governo que "mude de política".
"É uma noite de derrota", admitiu Jean-François Copé, dirigente da UMP.
Este duro revés atinge em cheio Sarkozy, dez meses após sua vitória na eleição presidencial, e enfraquece ainda mais sua posição num momento em que sua popularidade já caiu muito desde o início deste ano.
De acordo com uma pesquisa CSA Dexia, o PS e seus aliados somaram no total 49,5% dos votos, contra 47,5% para a UMP e seus aliados.
A eleição também evidenciou a derrota do partido centrista MoDem (Movimento Democrata) e de seu líder François Bayrou, candidato na eleição presidencial de 2007 e que foi superado por uma socialista em seu feudo de Pau (sudoeste).
O PS já havia registrado uma forte progressão domingo passado no primeiro turno mantendo, inclusive, a cidade de Lyon (centro-leste).
Antecipando uma possível derrota, Sarkozy havia insistido na dimensão local desta eleição. Apesar da derrota, o presidente francês já avisou que não mudará sua política, e os dirigentes de direita expressaram na noite deste domingo seu desejo de acelarar ainda mais as reformas.
Consciente de que a ostentação de sua vida privada e sua hiperatividade, considerada às vezes desordenada, contribuíram para sua queda de popularidade, Sarkozy já iniciou uma mudança de estilo. Em sua vontade de reconquistar os franceses, o presidente tem um trunfo: seu mandato expira somente em 2012, e ele conta com a maioria absoluta no Parlamento.
Apesar de sua ampla vitória, o PS ainda pode encontrar problemas no futuro. De fato, seu sucesso nestas eleições pode reforçar a guerra dos chefes. Bertrand Delanoë aparece cada vez mais como um candidato sério frente à Ségolène Royal para dirigir o partido, na perspectiva da eleição presidencial de 2012.
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