Barroso sobrevoa a Grécia e promete 'solidariedade' da UE

ATENAS (AFP) — O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, sobrevoou neste sábado a península grega do Peloponeso (sul) arrasada por enormes incêndios desde 24 de agosto, assegurando à Grécia a "solidariedade" financeira da UE para a ajuda às regiões afetadas.

Se a situação melhorou na ilha de Eubea (nordeste de Atenas), no início da noite três grandes incêndios florestais continuavam a assolar a Lacônia, a Arcádia e a Messênia, no Peloponeso (sul).

No Monte Parnon, próximo de Esparta na Lacônia, três povoados foram evacuados por precaução. Uma equipe especial também foi retirada do local por helicóptero depois de ter sido cercada pelas chamas. Cinco aviões, dois bombardeiros gigantes russos BE-200, e três helicópteros participam das operações na régião.

Na Arcádia, oito aviões e sete helicópteros ajudavam no combate aos incêndios, enquanto quatro helicópteros sobrevoavam a Messênia.

Na ilha de Eubea, os bombeiros com o auxílio de um helicóptero tentavam pôr fim a um incêndio na região de Mistro.

Após ter chegado à noite em Atenas para prestar "solidariedade" da UE para com a Grécia, José Manuel Barroso sobrevoou de helicóptero as paisagens desoladas do Peloponeso com o primeiro-ministro Costas Caramanlis.

"Faremos todo o possível para apoiar a Grécia", assegurou, acrescentando que a Comissão estava "prestes a receber um relatório das necessidades após as avaliações econômicas e ecológicas necessárias para abrir o fundo de ajuda", sem no entanto detalhar o valor desta assistência.

Na véspera, a comissária européia para Política Regional, Danuta Hübner, havia anunciado que a UE poderia desbloquear até 600 milhões de euros este ano para ajudar a Grécia a enfrentar as conseqüências dos incêndios.

Ao ver as paisagens devastadas, Barroso traçou um paralelo com os incêndios ocorridos em Portugal em 2003. "Mas o que vi é realmente diferente em razão do número e da densidade dos incêndios", considerou.

O fogo destruiu principalmente regiões agrícolas de pouca importância, as conseqüências dos incêndios serão "limitadas" no plano econômico, considerou na sexta-feira o ministro da Economia Georges Alogoskoufis, considerando que elas não deveriam chegar a 0,3% do PIB.

Milhares de hectares de florestas também ficaram destruídos, pelo menos 150.000 apenas no Peloponeso, dentre os quais os bosques do monte Taigeto, uma reserva ambiental da UE. Sessenta e três pessoas morreram, principalmente no início da catástrofe, no dia 24 de agosto.

Alvo de fortes críticas por sua gestão da crise há quase duas semanas das eleições legislativas, o governo conservador forneceu rapidamente aos cerca de 36.000 afetados uma primeira ajuda de urgência de um valor total de 130 milhões de euros.