FRANKFURT, Alemanha (AFP) — O anúncio da compra da francesa Business Objects pela SAP derrubou nesta segunda-feira a ação do grupo alemão na Bolsa de Frankfurt, com os analistas céticos sobre a virada estratégica da SAP e considerando alto demais o preço de 4,8 bilhões de euros.
A aquisição do editor de softwares especializados Business Objects pelo líder mundial de softwares para gestão entre empresas marca na realidade uma virada na política de crescimento deste último.
Contrariamente a seu concorrente, a americana Oracle, sedenta de aquisições e dona há alguns meses de uma empresa do ramo, a SAP havia até aqui privilegiado o crescimento interno e vinha se contentando em comprar empresas de médio porte.
A Business Objects, com um faturamento de US$ 1,254 bilhão em 2006, é especialista em "business intelligence" que consiste em propor às empresas ferramentas para melhorar sua gestão.
"Este é um segmento do mercado com forte potencial de crescimento", explicou nesta segunda-feira Henning Kagermann, o presidente da SAP. "É a aproximação entre duas empresas líderes em domínios complementares", continuou.
A SAP vai, portanto, lançar nas próximas semanas uma oferta pública de aquisição (OPA) de 42 euros por ação em dinheiro, que deve ser concluída no primeiro trimestre de 2008. Esta é uma operação amistosa porque já foi aceita pelo conselho de administração da Business Objects.
A quantia global da operação será "levemente superior a US$ 4,8 bilhões de euros", disse o líder mundial.
Mas inúmeros são os analistas que consideram este preço muito alto. Na avaliação do próprio gigante alemão, ele representa um prêmio de 20% em relação ao preço do fechamento da sexta-feira da Business Objects.
Nesta segunda-feira, a ação do grupo francês disparou 17,40% na Bolsa de Paris, a 41,09 euros. Já a ação da SAP caiu 4,35%, ficando em 39,82 euros em Frankfurt, realizando a pior operação do Dax, o índice dos 30 principais valores do mercado alemão, que operava em queda de 0,35%.
A soma que a SAP está disposta a reembolsar é bem maior, segundo analistas, do que a Business Objects publicou junto com seus resultados provisórios do terceiro trimestre revisados em baixa.
Segundo a advertência da empresa com sede em Paris, seu faturamento deve ficar entre 366 e 370 milhões de dólares, contra uma variação inicial de 382 a 387 milhões, em razão da fragilidade da divisão de licenças.
"Uma grande parte de nossas dificuldades no terceiro trimestre era devido aos rumores de compra que circulavam sobre o mercado", defendeu-se nesta segunda-feira John Schwarz, presidente da Business Objects, que inclusive garantiu ter informado a SAP.
"O fato de que o lucro por ação vai aumentar a partir de 2009 justifica o preço", comentou Kagermann.
Mas como ele deve cair alguns centavos em 2008, os analistas da Exane BNP Paribas reduziram nesta segunda-feira a recomendação sobre a ação da SAP de "neutra" para "sub-desempenho".
Os mercados financeiros não devem receber melhor o anúncio feito pelo gigante alemão de que a compra da Business Objects "vai ter conseqüências sobre o programa de compra das ações nos dois próximos anos".
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