Possível venda livre de computador gera expectativa em Cuba
HAVANA (AFP) — Muitos cubanos esperam com grande ansiedade que Raúl Castro autorize a venda de computadores, uma das primeiras mudanças "passo a passo" que realizará em seu governo, já que mais de 3,7 milhões de pessoas utilizaram o aparelho em 2007, mas apenas 5% o fizeram em casa.
O jornal oficial Granma informou há uma semana que entre as disposições que poderão ser anunciadas em breve, está "o acesso ao turismo e a venda de equipamentos", em referência a computadores, DVDs, microondas e outros eletrônicos, cuja circulação foi limitada em 2003.
Esta limitação faz parte do "excesso de proibições e medidas legais, que causam mais dano que benefícios", denunciadas por Raúl no final de 2007.
A abolição dessas medidas deve acontecer nas próximas semanas.
O próprio presidente afirmou que "atrás de cada proibição incorreta, se busca um grande número de ilegalidades".
Algumas pessoas possuem computadores em suas casas, comprados do mercado negro ou vindos de outros países. Outros foram montados, já que muitos componentes podem ser comprados em algumas lojas.
Uma pesquisa oficial sobre "Tecnologias da Informação e as Comunicações (TIC) uso e acesso em Cuba (janeiro-dezembro de 2007) comprova que 33,2% dos 11,2 milhões de cubanos operaram um computador no ano passado.
Em relação ao local de uso, os entrevistados disseram ter usado em centros de estudo (56,7%), centros de trabalho (32,1%), "Joven Club" (centros que dão cursos gratuitos de computação, mais de 600 em todo o país, 5,4%) em casa (5,2%) e outros locais (0,6%).
Um assunto que até agora não parece preocupar é a compra de programas para os PC.
O mesmo embargo americano que traz perdas milionárias para a ilha desde 196, impede que as grandes companhias americanas possam comercializar os programas, dando lugar à pirataria.
O acesso à internet é outro problema. As autoridades alegam que o embargo não lhes permite conexão por cabo, obrigando o acesso por satélite, mais caro e limitado.
Uma empresa mista de Cuba e da Venezuela trabalha em uma ligação de cabos entre os países, um projeto que deve demorar ainda alguns anos para ser concluído

