Putin: relações entre Rússia e Ocidente não serão mais simples com Medvedev

NOVO-OGAREVO, Rússia (AFP) — O presidente russo, Vladimir Putin, advertiu neste sábado que as relações de seu país com o Ocidente não serão "mais simples" com seu sucessor, Dimitri Medvedev, durante uma reunião em sua residência, nos arredores de Moscou, com a chanceler alemã, Angela Merkel.

"Não acredito que com ele as relações vão ser mais simples", disse Putin, categórico.

Na pauta da reunião bilateral estavam as diferenças nas posições sobre o Kosovo, cuja independência foi apoiada por países da União Européia, como Alemanha, França e Grã-Bretanha, mas não por Moscou; o programa nuclear iraniano e a exportação de energia por parte da Rússia para a Europa.

Em coletiva que se seguiu ao encontro, Putin também acusou a Otan de querer substituir a ONU, afirmando que a posição da Aliança Atlântica faz aumentar os possibilidades de um conflito.

"Existe a impressão de que haja tentativas de criar uma organização que substituiria a ONU", afirmou Putin quando perguntado sobre a política da Otan.

"É pouco provável que a humanidade aceite este tipo de arquitetura das relações internacionais e acho que o potencial de conflito vai aumentar", considerou o Putin.

Depois de se reunir com Putin, Angela Merkel deve se encontrar com o presidente eleito Medvedev, que venceu no domingo passado a polêmica eleição presidencial russa.

Merkel, que chegou neste sábado à capital russa, será a primeira dirigente ocidental a se reunir com Medvedev, depois de sua polêmica eleição de 2 de março, informou a agência RIA Novosti.

Na segunda-feira passada, Merkel parabenizou Medvedev por sua vitória fácil nas eleições presidenciais, mas se mostrou preocupada com as possíveis irregularidades do processo.

"Merkel quer saber mais sobre os planos anunciados por Dimitri Medvedev de afiançar o império da lei e modernizar o Estado russo e a economia", declarou o porta-voz do governo alemão, Ulrich Wilhelm.

"A chanceler obviamente abordará a situação interna depois das eleições, assim como as eleições em si, que de criticamos por uma série de aspectos", disse o porta-voz governamental.