OEA alerta para risco de violência na Bolívia devido à crise política
WASHINGTON (AFP) — A possibilidade de que a crise política na Bolívia leve a violências e enfrentamentos é certa, alertou nesta quarta-feira o secretário de Assuntos Políticos da OEA, Dante Caputo, que apontou a necessidade de aproveitar os espaços de diálogo para evitar mortes.
"Estão dadas as condições para um processo de negociações prudente e reservado" entre governo e as autoridades regionais contrárias ao Executivo na Bolívia, mas "razões de natureza política bloqueiam esse começo de negociações", disse Caputo no Conselho Permanente da OEA reunido em Washington.
A situação ocorre "em um ambiente no qual as tensões poderiam se transformar em violência e enfrentamentos", segundo o secretário, que apresentou o relatório da missão da OEA que visitou recentemente a Bolívia.
"No dia 4 de maio (quando a região de Santa Cruz deve realizar um referendo de autonomia) pode haver violência", afirmou Caputo.
"A possibilidade de que (a situação) se transforme em conflito é certa, e a possibilidade de que o conflito se transforme em enfrentamento também", concluiu.
A Bolívia passa por uma grave crise política devido à convocação do referendo de autonomia na região de Santa Cruz e de consultas semelhantes marcadas por três outras regiões do país, às quais se opõe o governo de Evo Morales.
O presidente boliviano, por sua vez, declarou-se disposto a se reunir na sede da OEA em Washington com os prefeitos de oposição responsáveis pelos referendos, informou nesta quarta-feira o embaixador da Bolívia na organização, Reynaldo Cuadros.
À margem da sessão do Conselho Permanente da OEA, Cuadros disse à imprensa que Morales poderia viajar para a capital americana para se reunir com os prefeitos em território neutro.
Segundo Dante Caputo, os prefeitos opositores ainda não se manifestaram sobre a possibilidade de uma reunião com Morales antes da realização do primeiro referendo de autonomia, em Santa Cruz, no dia 4 de maio.

