Em baixa nas pesquisas, presidente francês dará explicações

PARIS (AFP) — Em baixa nas pesquisas, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, irá se explicar nesta terça-feira, durante uma entrevista coletiva à imprensa na qual prometeu responder a todas as questões, incluindo as relacionadas a seu relacionamento com a ex-modelo Carla Bruni, com quem poderá se casar em breve.

No início deste ano, a popularidade de Sarkozy, que vive intensamente seu romance com Carla Bruni, caiu vertiginosamente, perdendo 7 pontos em um mês, indo para 48%, segundo o instituto CSA; já na pesquisa LH2 a perda foi de apenas dois pontos, mantendo-se ainda com um saldo positivo de apoio popular com 54%.

De qualquer forma, é neste contexto que Sarkozy deverá defender seu governo, oito meses depois de sua chegada ao Eliseu.

Diante de cerca de 500 jornalistas de dezenas de países, ele deverá, durante duas horas, mencionar principalmente a questão do poder de compra, que se tornou a principal preocupação dos franceses, as delicadas negociações sociais que se delineiam, uma eventual reforma ministerial e as grandes questões internacionais.

Mas uma questão poderá eclipsar em parte todas as outras: sua vida privada e os rumores de um casamento - a data de 9 de fevereiro já foi adiantada por um jornal - com Carla Bruni.

O chefe de Estado, de 52 anos, já havia alertado que falaria de suas férias no Egito com Carla Bruni, de 39 anos, que provocaram polêmica.

A oposição se pergunta sobre a generosidade do amigo do presidente, o empresário Vincent Bolloré, que emprestou a Sarkozy seu jato particular para esta viagem após ter oferecido seu luxuoso iate para um cruzeiro em Malta logo depois de sua eleição em maio.

Segundo a enquete do Libération que tem como título o "fim da lua-de-mel nas pesquisas", a grande maioria dos franceses desaprova a maneira pela qual o presidente conduz sua vida privada, dois meses após seu divórcio com Cécilia. Entre os consultados 63% consideram que ele "expõe demais sua vida privada".

"A midiatização da vida pessoal do presidente, afetando a imagem da função presidencial, atinge visivelmente os setores tradicionais de apoio da maioria", analisou para a imprensa o cientista político Stéphane Rozès.

"Ele tem o direito de ser feliz como todos", afirmou uma de suas assessoras, Catherine Pégard. "Fez uma boa escolha ao assumir tudo isso".

Para além de sua vida privada, o presidente que realizou uma campanha com o slogan "trabalhar mais para ganhar mais" decepciona seus compatriotas em relação à questão do aumento do poder de compra. São 62% os que consideram que suas medidas neste setor "não são suficientes".

A confiança dos consumidores franceses despenca. Pelo quinto mês consecutivo, ela se manteve em queda em dezembro, atingido seu nível mais baixo desde maio de 2006.

"No momento em que os franceses fazem suas contas e lamentam os aumentos dos impostos, a questão do poder de compra é reavivada. Por isso, Nicolas Sarkozy será cobrado neste ponto", considera Rozès.

Mas a margem de manobra do chefe de Estado é limitada em razão das incertezas econômicas e de um crescimento de menos de 2%. O próprio Sarkozy reconheceu que o caixa estava "vazio", salientando sua disposição de manter seu programa de "ruptura".

Para o Partido Socialista, Sarkozy está em queda nas pesquisas porque "não obtém" resultados. O PS considerou que o presidente pode estar prestes a adotar um plano austero após as eleições municipais de março.

O jornal Le Monde, em um editorial intitulado "o rei está nu", considera que Sarkozy deveria "sobretudo deixar de ser o cavaleiro solitário", pois a França não "terá êxito sem seus parceiros europeus".