WASHINGTON (AFP) — A cifra astronômica de 945 bilhões de dólares mencionada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para calcular o impacto da crise do crédito subprime reflete a depreciação de ativos potenciais das instituições financeiras relacionadas com o mercado de empréstimos de risco.
Não se trata de perdas financeiras no sentido restrito, ou seja, de resultados líquidos negativos, assinala o Fundo no primeiro capitulo de seu Informe sobre a estabilidade financeira do mundo.
O montante acumulado "é da ordem dos 565 bilhões de dólares para os empréstimos hipotecários americanos e os instrumentos financeiros associados e 240 bilhões de dólares para os produtos derivados do mercado imobiliário comercial", explica o documento.
"Os empréstimos às empresas deverão representar 120 bilhões em perdas e os empréstimos ao consumo 20 bilhões de dólares adicionais", acrescenta.
Essas estimativas, realizadas segundo o método de preços do mercado ("mark-to-market"), foram realizadas em março, durante o período de maiores turbulências no mercado.
O estudo incluiu, além dos bancos, companhias de seguros, fundos de aposentadoria, fundo de colocação e fundo de investimento de risco ("hedge funds"), indica o FMI, que se baseou em dados apontados principalmente pelo Goldman Sachs, JP Morgan Chase, Lehman Brothers e Merrill Lynch.
"Se colocarmos em uma perspectiva histórica, essa crise, expressa em dólares, é de uma amplitude comparável à crise bancária japonesa dos anos 90", conclui o Fundo, calculando esta última em cerca de 750 bilhões de dólares.
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