LOS ANGELES (AFP) — A lenda do cinema de Hollywood Charlton Heston, um ícone lembrado por sua interpretação em "Ben Hur" que lhe valeu um Oscar em 1959, morreu no sábado em sua residência de Beverly Hills, aos 84 anos de idade, anunciou sua família em um comunicado.
A família da estrela do cinema indicou no comunicado que Heston, conhecido por seus papéis de homem rude no cinema e que havia lutado nos últimos anos contra o Mal de Alzheimer, morreu com sua esposa Lidia, de 64 anos, ao seu lado.
"Aos seus queridos amigos, colegas e admiradores, apreciamos suas sinceras orações e apoio", indicou a família Heston no comunicado.
"Charlton Heston era visto no mundo como alguém impressionante. Era conhecido por seu queixo talhado, largos ombros e voz ressonante, e, com certeza, pelos papéis que interpretou", ressaltou o texto.
"De fato, se empenhou em todos os seus papéis com paixão e perseguiu qualquer causa com o mesmo entusiasmo e integridade".
"Foi um marido encantador, um pai amável e devoto e um avô gentil, com um senso de humor contagiante. Cumpriu estes significativamente mais importantes papéis com enorme fé, coragem e dignidade", destacou o comunicado.
"Amou e foi amado profundamente", indicou o texto, acrescentando que "ninguém pode pedir uma vida mais plena que esta. Nenhum homem pode ter dado mais a sua família, sua profissão e ao seu país. Em suas próprias palavras: 'Vivi uma vida maravilhosa!".
Heston nasceu John Charles Carter em Evanston, Illinois, no dia 4 de outubro de 1923, e sua estréia no cinema ocorreu em 1941, quando protagonizou o longa-metragem "Peer Gynt".
Sua preferência pelos papéis históricos ficou evidente novamente quando viveu Marco Antonio em 1950 no filme "Julius Caesar", embora sua atuação como o dono de circo Brad Baden no épico de Cecil B. DeMille "O Maior Espetáculo da Terra" tenha dado ao ator status de estrela.
Outra colaboração com DeMille deu a Heston a oportunidade de interpretar Moisés no grande sucesso de 1956 "Os Dez Mandamentos", antes de brilhar em "Ben Hur", de William Wyler.
Com quase quatro horas de duração, esta obra-prima da Sétima Arte é considerada o ponto mais alto da época em que Hollywood estava fascinava espectadores de todo o mundo com luxuosas produções de temas bíblicos.
Anos depois, Heston lembraria que antes de filmar a cena principal de "Ben Hur", o diretor Wyler disse ao ator que se conseguisse se manter na biga, sua vitória na corrida estaria garantida.
Assim como em "Ben Hur", Heston interpretou dezenas de heróis históricos e de ficção, com os papéis em "El Cid", de 1961, e em "Agonia e Êxtase", de 1965.
Outras de suas memoráveis interpretações foram a de um astronauta perdido no filme de ficção científica "Planeta dos Macacos" e a de um detetive em "No Mundo de 2020" em 1973.
Depois, Heston passaria a atuar em bem-sucedidas séries de TV, incluindo "Dinastia" e "The Colbys".
Há uma década, Heston atraía as atenções por suas posições políticas, chegando a ocupar a presidência da Associação Nacional de Rifles (NRA, em inglês).
Embora tenha se autoproclamado liberal nos 60, inclusive acompanhando o reverendo Martin Luther King Jr. na marcha em defesa dos direitos civis em Washington em 1963, suas idéias políticas se voltaram mais tarde para a direita.
Como presidente da NRA, causou polêmica em uma convenção da associação quando disse que suas armas apenas teriam que ser retiradas de suas "mãos mortas e frias".
Heston foi submetido a uma cirurgia de substituição do quadril em 1998, e nesse mesmo ano venceu um câncer de próstata. Em agosto de 2002 anunciou que era portador do Mal de Alzheimer. Um ano depois recebeu a medalha presidencial da Liberdade.
Heston deixa dois filhos, Fraser Clarke Heston e Holly Heston Rochell, e três netos, Jack Alexander Heston, Ridley Rochell e Charlie Rochell.
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