WASHINGTON (AFP) — Funcionários da inteligência americana consideram que os arquivos de computador que associam o presidente venezuelano Hugo Chávez com a guerrilha colombiana das Farc são verdadeiros, informa a edição desta sexta-feira do Wall Street Journal.
Os arquivos, todos de 2007, descrevem reuniões entre comandantes da guerrilha e autoridades da Venezuela, incluindo o próprio Chávez, segundo o jornal, com base na revisão de mais de 100 documentos.
"Há completa concordância na comunidade de inteligência de que estes documentos são o que dizem ser", disse um funcionário ao jornal sobre os arquivos que a Colômbia afirma terem sido tomados da guerrilha após um ataque a um de seus acampamentos em março.
Os arquivos mostram que a Venezuela fez ofertas concretas para ajudar a armar as Farc, segundo o WSJ, com base na revisão de mais de 100 documentos do computador de um de seus líderes, morto no ataque, em território equatoriano.
Nos documentos, a Venezuela oferece às Farc o uso de um porto no país para receber os envios de armas e parece planejar um plano de segurança conjunto, afirma o jornal.
Em um documento com data de novembro, o ministro venezuelano Ramón Rodríguez Chacin pede às Farc que treinem militares de Caracas em táticas de guerrilha, prossegue.
A Venezuela insiste que os documentos (que a Colômbia afirma ter retirado do computador de Raúl Reyes, número dois das Farc morto no ataque) são falsos.
"Não reconhecemos a validade de nenhum destes documentos", disse o embaixador venezuelano nos Estados Unidos, Bernardo Alvarez.
"São falsos e pretendem desacreditar o governo venezuelano", acrescentou.
O ataque militar colombiano contra o acampamento das Farc no Equador, em 1º de março, deixou 20 mortos, incluindo um equatoriano e quatro mexicanos.
Em resposta, o Equador rompeu relações com a Colômbia.
De acordo com o WSJ os arquivos incluem as seguintes informações:
- Os comandantes das Farc Iván Márquez e Rodrigo Granda escreveram que se reuniram com Chávez em novembro e que ele teria ordenado a criação de zonas de descanso e de cuidados médicos para os combatentes das Farc dentro da Venezuela.
- O ministro do interior da Venezuela, Ramón Rodríguez Chacín, pediu às Farc por e-mail que treinassem militares venezuelanos em táticas de guerrilha, como preparação no caso de uma invasão dos Estados Unidos.
- Sobre um "empréstimo" da Venezuela para a compra de armas, Rodríguez Chacín escreveu que não foi considerado um empréstimo, e sim um ato de "solidariedade".
- O comandante das Farc Iván Márquez se refere a uma reunião com o chefe de inteligência militar venezuelano Hugo Carvajal e outro general de Caracas para discutir financiaciamento, armas e política de fronteira.
- O outro general, que não tem o nome mencionado, ofereceu o porto venezuelano de Maracaibo para receber carregamentos das Farc e sugeriu a inclusão de "alguns contêineres destinados às FARC" em seus próprios carregamentos de armas compradas da Rússia, segundo Márquez.
- Funcionários da inteligência naval da Venezuela teriam se reunido com guerrilheiros das Farc e oferecido ajuda para a compra de "foguetes" e para enviar um membro das Farc ao Oriente Médio para que aprendesse a usar os projéteis.
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