Presidentes Lula e Chávez voltarão a conversar sobre gasoduto do sul

CARACAS (AFP) — Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez, da Venezuela, retomarão as conversas sobre o gasoduto do sul durante a reunião que terão no dia 20 em Manaus, anunciou o venezuelano.

"Lula me ligou e quer que discutamos o tema do gasoduto em Manaus. Eu disse, 'Lula, já era hora, há um ano que não falamos do gasoduto", disse Chávez no programa de rádio e televisão "Alô, Presidente".

"Dizem que o gasoduto é inviável. Sobretudo se levantou uma corrente muito forte no Brasil contra o tema. Esta corrente vem de Washington para tentar sabotar o projeto", acrescentou.

"Eu não posso obrigar ninguém a fazer o projeto, nós oferecemos, explicamos, abrimos as possibilidades", acrescentou, depois de destacar que a Venezuela venderia gás aos países da América Latina por um valor abaixo dos preços de mercado.

O gasoduto do sul teria quase 8.000 quilômetros e precisaria de investimentos de pelo menos 20 bilhões de dólares. Porém, o projeto é visto com ceticismo nos meios industriais e políticos.

Chávez também se referiu às vendas de gás da Bolívia ao Brasil e considerou que os preços de venda devem ser revistos.

"A Bolívia vende ao Brasil, em alguns casos, o gás até em um dólar por cada milhão de BTU (british termal unit), coisa que nos parece injusta", disse Chávez, antes de lembrar que na Europa e Estados Unidos o combustível é cotado entre 14 e 15 dólares.

"Porém, são convênios que foram assinados por governos anteriores e é uma das coisas que (o presidente) Evo (Morales) está pedindo ao Brasil, que pelo amor de Deus se revisem estes preços. Há pouco acordaram, mas em uma mínima porção", prosseguiu.

"A Bolívia fornece muito gás, sobretudo a São Paulo e Rio de Janeiro. Em troca os argentinos concederam à Bolívia um aumento e chegaram a cinco dólares o milhão de BTU", acrescentou.